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Educação não deve se subordinar às exigências do mercado, diz presidente do Ipea

1 de julho de 2011

por Desirèe Luíse, do Aprendiz


“Não devemos subordinar a educação às exigências do mercado de trabalho”, diz o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, em entrevista ao Portal Aprendiz. Para o economista, apenas o nível educacional não é fator determinante para a garantia de um bom emprego.

Como a geração de vagas disponíveis depende também de variáveis macroeconômicas, Pochmann defende que o ensino deve ser pensado não somente para suprir a demanda da economia, mas para a construção de uma sociedade superior. “Uma educação que esteja diretamente relacionada à capacidade das pessoas dialogarem”, afirma. 

De acordo com estimativa do Ipea, o ritmo de 5% da expansão da economia em 2011 tende a afetar positivamente o mercado de trabalho brasileiro. Deverão ser gerados 1,7 milhão de novos empregos formais até o final do ano. Em 2010, o Brasil atingiu 2,5 milhões, quando a expansão econômica alcançou 7,5%.

Portal Aprendiz – Há relação entre escolaridade e emprego? Quanto melhor o nível educacional de uma pessoa maior a chance de estar empregado?
Marcio Pochmann – Há uma correlação direta entre emprego e escolaridade. O que não existe é o nível educacional como fator determinante para se conseguir um emprego, porque este depende de variáveis macroeconômicas. Haverá emprego na medida em que um conjunto de pontos se combina. Se há crescimento econômico, evidentemente que empregos são gerados. Agora, o tipo do emprego depende do tipo de crescimento dessa economia.

Aprendiz – Podem ser gerados empregos de baixa qualidade?
Pochmann – Isso. Podem ser criados empregos precarizados, se a economia, mesmo crescendo rápido, for estimulada por setores regulados, por exemplo, por produção de baixo valor agregado, como é o caso da produção agrícola, do extrativismo mineral e de serviços familiares.

Aprendiz – E como a economia pode gerar bons empregos em quantidade?
Pochmann – Se a economia estiver associada a setores que produzem alto valor agregado. Seria o caso das tecnologias da informação e comunicação, setores industriais e setor de serviços de maior qualidade.

Aprendiz – Então, o diploma universitário não pode mais ser considerado um passaporte para o bom emprego?
Pochmann – No passado, o diploma era isso. Mas, tivemos no Brasil, e em outros países, uma espécie de banalização do certificado. Algo como uma indústria de certificação e isso andou, de certa maneira, desacompanhado da qualidade do ensino. Hoje, as empresas não contratam apenas pelo diploma. Há uma bateria de exames para saber se aquele certificado vem acompanhado de pessoas que sabem aquilo que em tese deveriam conhecer.

Aprendiz – Atualmente, existe demanda maior por uma mão de obra mais capacitada?
Pochmann – Sim, estamos vivendo um fenômeno relativamente novo no país, talvez somente comparado ao que o Brasil viveu na primeira metade da década de 1970, durante o chamado milagre econômico. O crescimento da economia vem acompanhado de uma expansão de empregos e estes estão cada vez mais exigindo preparação, qualidade, certificação ampliada por parte dos trabalhadores.

Aprendiz – Mas ainda há muito desemprego no país. Como explicar?
Pochmann – Exatamente. Isso é paradoxal, porque falta mão de obra qualificada em determinados setores e localidades e, simultaneamente, pessoas pouco preparadas em excesso, que estão desempregadas. Essa situação exige uma remodelação da política de emprego no Brasil, buscando justamente reduzir os desníveis entre a demanda por trabalhadores e a oferta desses trabalhadores.

Aprendiz – O que é preciso fazer nesta remodelação?
Pochmann – Precisa-se melhor assistir aqueles trabalhadores que estão qualificados e poderiam estar ocupando vagas, mas moram em determinados locais onde não se encontra esse emprego. Há um problema de informação, inclusive, já que empresas querem contratar estes trabalhadores e não sabem que eles existem. Precisa-se combinar a intermediação de mão de obra com a qualificação e, ao mesmo tempo, os benefícios que são dados às pessoas desempregadas. Temos esses três pontos, mas que não operam de forma sistêmica.

Aprendiz –Investir em educação voltada para o mercado de trabalho ajuda a diminuir o desemprego?
Pochmann – Entendo que não devemos subordinar a educação às exigências do mercado de trabalho, porque são, em geral, de curto prazo. Estamos prisioneiros da alienação que descola a realidade da perspectiva educadora. Além do trabalho, o ensino também tem relação com a vida das pessoas e em nenhum país do mundo está voltada apenas para o mercado. É justamente na circunstância de que, muitas vezes, não se sabe que tipo de emprego que a economia gera – porque ela depende das tais variáveis que citei – que é fundamental o país ter uma educação de boa qualidade não apenas para suprir a demanda da economia, mas para a construção de uma sociedade superior.

Aprendiz – O que você destaca como educação de boa qualidade?
Pochmann – Uma que esteja diretamente relacionada a um sentido da vida, que diz respeito à capacidade das pessoas dialogarem, de aumentarem o conhecimento que sugere cada vez mais o aprendizado como base das organizações. Devemos reconhecer a transformação tão grande da sociedade que tem acabado com a condição de que só as crianças e os adolescentes devem estudar. Hoje, é cada vez mais necessária a educação para a vida toda. Assim, adultos terão que estudar também, seja por exigência do próprio mercado de trabalho ou para as condições deste século XXI.

Aprendiz – Esta é a chave para um país melhor desenvolvido?
Pochmann – Do ponto de vista sul-americano, o Brasil surge como nação que pode liderar o desenvolvimento. O país é a sétima economia do mundo e é a primeira vez que participa mais ativamente das questões econômicas mundiais. Mas devemos ser capazes de protagonizar o futuro, evitando erros do passado como, por exemplo, relacionar educação exclusivamente com trabalho. Também, se ficarmos presos às commodities [produto em estado bruto ou pequeno grau de industrialização], não ocuparemos melhor posição no cenário global, mesmo com educação melhorada. Precisamos transformar o entendimento do ensino relacionado ao desenvolvimento.

* Publicado originalmente no Portal Aprendiz.

Instituto de Mudanças Climáticas promove treinamento em Serviços Ambientais

21 de junho de 2011

Por Senildo Melo (Assessoria IMC)   
21-Jun-2011
Capacitação foi oferecida às instituições de governo e ONGs

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O treinamento teve como objetivo apresentar noções básicas sobre serviços ambientais (Foto: Assessoria IMC)
O Instituto de Mudanças Climáticas (IMC), ligado ao governo do Acre, em parceria com a ONG Forest Trends realizou durante os dias 16 e 17 um treinamento em Serviços Ambientais e a Lei do Sistema Estadual aos Serviços Ambientais (Sisa) para técnicos, instituições de governo e ONGs.
O treinamento teve como objetivo apresentar noções básicas sobre serviços ambientais, lógica de pagamento, incentivos e compensação de serviços ambientais, os passos básicos para elaboração de projetos de pagamento e compensação por serviços ambientais (PSA) e Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (REDD).
De acordo com o instrutor do curso e diretor da ONG Forest Trends, Beto Borges, os ecossistemas naturais prestam inúmeros benefícios para a sociedade no que diz respeito à regulação do clima, conservação da biodiversidade, fertilidade dos solos para agricultura dentre outros.
“A vida da humanidade não seria possível sem estes serviços. Formas de pagamento e compensação por serviços ambientais (PSA) têm o potencial de gerar novas fontes de recursos para a conservação da biodiversidade e melhorar os meios de sustento das comunidades locais, recompensando as que vivem na floresta e outros setores da sociedade que zelam e conservam os serviços ecossistêmicos”.
Em outubro de 2010, o Estado do Acre aprovou o Sistema Estadual aos Serviços Ambientais (SISA), por meio da Lei Nº 2808. O SISA tem o objetivo de incentivar práticas produtivas sustentáveis com a valorização da floresta em pé e com isto ter como resultado a manutenção e a ampliação da oferta dos seguintes serviços ecossistêmicos: sequestro, conservação, manutenção e aumento do estoque e a diminuição do fluxo de carbono; conservação da beleza cênica natural; conservação da sóciobiodiversidade; conservação das águas e dos serviços hídricos; valorização cultural e do conhecimento tradicional ecossistêmico; conservação e o melhoramento do solo.
Segundo o diretor presidente do Instituto de Mudanças Climáticas (IMC), Eufran Amaral, nesse momento o mais importante é informar e capacitar os diferentes atores envolvidos nesse processo para garantir uma perfeita sintonia entre técnicos, instituições de governos, ONGs, indígenas, agricultores, pecuaristas e comunidades para a elaboração de projetos de pagamento ou compensação dos serviços ambientais implementando como determina a Lei do SISA.

Atualizado em ( 21-Jun-2011 )

CTNBio muda regimento para acelerar liberações de transgênicos - Boletim 538

25 de maio de 2011

http://terradedireitos.org.br/wp-content/uploads/2010/06/porumbrasillivredetransgenicos.jpg

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POR UM BRASIL ECOLÓGICO,
LIVRE DE TRANSGÊNICOS E AGROTÓXICOS
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CTNBio muda regimento interno para acelerar liberações de transgênicos
Número 538 - 20 de maio de 2011
Car@s Amig@s,

Na última terça-feira (17) foi realizada em Brasília audiência pública sobre o feijão geneticamente modificado. Desenvolvido pela Embrapa para ser resistente ao vírus do mosaico dourado, o produto está na pauta de liberação comercial da CTNBio.

A audiência foi realizada na sede da própria Embrapa, que é a proponente do pedido. O fato inédito suscitou dúvida se a CTNBio passará a adotar o procedimento de “consulta à sociedade” na sede das empresas requerentes, podendo uma próxima ser quem sabe na sede da Monsanto. O presidente da CTNBio Edílson Paiva disse que não haviam encontrado outro auditório disponível em Brasília e daí a escolha.

A representante da Terra de Direitos questionou a extensão do sigilo conferido a diversos trechos do relatório apresentado pela Embrapa. A CTNBio manteve sob sigilo mais informações do que as solicitadas pela empresa, fato que dificulta as ações de monitoramento de impactos pós-comercialização do produto. Houve um caso em que o acesso à íntegra dos dados foi negado até mesmo a um integrante da Comissão e relator do processo. Os estudos de campo foram realizados em apenas três localidades e por dois anos, o que de forma generosa poderia significar que os impactos ambientais da tecnologia foram testados em no máximo dois biomas. A lei nacional exige estudos em todos os biomas onde a planta modificada poderá vir a ser cultivada. No caso do feijão transgênico, apesar da inexistência desses dados o pedido é para liberação do cultivo em todo o território sem restrições, como destacou a Terra de Direitos.

O representante do Consea enfatizou que o direito humano à alimentação saudável e adequada será atingido pela agroecologia e não pelo desenvolvimento de sementes geneticamente modificadas. Relatou experimentos de 8 anos da Embrapa que mostram grande sucesso no controle do mosaico do feijoeiro, sem perda de produtividade, por meio do manejo orgânico. No relatório apresentado pela Embrapa a Associação Brasileira de Agroecologia - ABA é citada como tendo endossado a tecnologia no contexto de uma oficina para avaliação de uma metodologia sobre análise de risco de transgênicos. O representante da ABA leu na audiência manifestação da entidade denunciando a forma anti-ética como a Associação foi citada, já que esse nunca foi seu posicionamento, como mostram os próprios relatórios da oficina. A ABA pediu retratação por parte da Embrapa pelo fato de seu nome ter sido usado com má-fé.

O representante da AS-PTA questionou a falta de dados sobre os potenciais impactos da modificação genética nas variedades de feijão consumidas no Brasil. Todos os testes foram feitos em um só tipo de feijão e não nos consumidos aqui diariamente. Por outro lado, diversas passagens do próprio texto da Embrapa informam que os resultados obtidos variam conforme o tipo de feijão que recebe a transgenia. Mesmo sem a realização desses testes, o pedido é para liberar o evento transgênico para sua posterior incorporação nos demais feijoeiros. Mais relevante ainda é saber que foram gerados 22 eventos para resistência ao mosaico, mas que apenas 2 destes funcionaram. O processo informa que não se sabe por que estes geraram os resultados esperados e os demais 20 não. E conclui que mais estudos são necessários para se entender o transgene em questão. Ou seja, na dúvida, libera. Esse descarte do Princípio da Precaução foi ressaltado na audiência pela AS-PTA.

O Princípio da Precaução foi lembrado também pelo Secretário Carlos Nobre, do Ministério de Ciência e Tecnologia, que abriu a plenária da CTNBio no dia seguinte. Nobre destacou a importância do trabalho da Comissão e da avaliação de riscos com base no Princípio da Precaução, para desgosto de muitos que o ouviam. Assim que o Secretário deixou a plenária, o presidente da CTNBio anunciou que iria colocar em votação as alterações no regimento interno do órgão. Mas logo diante do primeiro questionamento já disparou que tinha que andar logo com os trabalhos e evitar o “princípio da obstrução”.
O regimento tinha que ser alterado naquela ocasião por determinação judicial que obrigou a CTNBio a criar procedimentos de transparência e acesso às informações que lá tramitam, excluindo-se as de sigilo industrial.

Utilizando o procedimento que no Congresso é chamado de “contrabando legislativo”, os membros da Comissão aproveitaram a retificação ao texto do regimento para mudar o rito de tramitação dos processos. Encurtaram os prazos de análise, fazendo na prática com que as liberações sejam ainda mais aceleradas, reforçando o aspecto cartorial do órgão que nunca negou um pedido de liberação comercial.

A cada reunião da CTNBio as empresas informam sobre a desistência da realização de diversos experimentos de campo, que em tese serviriam para avaliar impactos ambientais. O representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário solicitou à presidência da Comissão que neste item da pauta constasse não apenas o número do processo que foi cancelado, mas também uma ementa do objetivo do experimento que seria realizado. O presidente repassou a questão aos assessores do órgão, que disseram que isso daria muito trabalho e que o membro interessado poderia entrar na página da Comissão e consultar caso a caso.

O pedido é relevante se lembrarmos que raríssimos são os experimentos sobre impacto ambiental, sendo sua maioria para testes de eficiência agronômica que interessam apenas à empresa. Alguns estudos com objetivo de avaliações ambientais são, contudo, pedidos, e o que queria o MDA é saber se são esses que estão sendo cancelados. A Comissão que avalia biossegurança não achou pertinente essa checagem, que demandaria um “corta e cola” a mais no momento de redação das pautas, e assim ficou.

Em pouco tempo será votada a liberação do feijão transgênico.


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Neste número:
1. Judiciário ouvirá povos tradicionais sobre contaminação por transgênico
2. Elma Chips fará salgadinhos de milho transgênico
3. Contaminação do milho pode inviabilizar criação orgânica de aves
4. Alemanha quer soja brasileira, desde que convencional e produzida longe de desmatamento
5. Monsanto renova esforços para liberar o trigo transgênico
6. Argentina: rumo ao primeiro trigo transgênico
7. DuPont quer aumentar mercado de agrotóxicos para cana-de-açúcar
8. Ministra do meio ambiente anuncia Programa Nacional de Agroecologia
9. Parlamento francês proíbe ftalatos e parabenos
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Campanha Brasil Ecológico, Livre de Transgênicos e Agrotóxicos
Este Boletim é produzido pela AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia e é de livre reprodução e circulação, desde que citada a AS-PTA como fonte.
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Artistas de várias vertentes retratam mudanças climáticas em concurso

9 de outubro de 2010

DA BBC BRASIL

O fotógrafo grego Christos Lamprianis concorreu com mais de mil artistas e venceu o CoolClimate Art, concurso internacional de obras sobre o impacto das mudanças climáticas.

Lamprianis enviou uma imagem de uma menina sentada perto de uma usina termoelétrica na Grécia, que passa a ilusão de estar tapando a chaminé com a palma de sua mão.

Pintura da artista Emma Varney retrata impacto provocado pela exploração de petróleo nos oceanos

Pintura da artista Emma Varney retrata
impacto provocado pela exploração de petróleo nos oceanos

Os participantes, de vários países do mundo todos, concorreram com esculturas, fotografias, pinturas e design gráfico que retratam problemas como o aquecimento global e a poluição, mas também apontam para soluções, como o uso de fontes renováveis de energia.

Os vinte semifinalistas passaram por uma pré-seleção de um júri formado por artistas e ativistas, como o ecologista Philippe Cousteau, neto de Jacques Cousteau.

Os trabalhos foram divulgados no site The Huffington Post em uma galeria aberta e submetidos à votação popular, que escolheu os cinco primeiros colocados.

Os vencedores foram homenageados no Center for American Progress, em Washington DC. Seus trabalhos serão usados em diversas campanhas em defesa do meio ambiente.

Bom para o bolso e o planeta

Um guia Bom para o bolso e o planeta

Quem paga as contas da casa (ou seja, os pais do adolescente que passa duas horas no banho e da moça que usa o secador duas vezes por dia) dá um duro danado para reduzir os gastos com água e luz. Substitui lâmpadas incandescentes por LED ou fluorescentes (cujo efeito pode ser aquela iluminação horrível de padaria), acumula a maior quantidade possível de roupas sujas, para só então lavar e passar, e, inutilmente, tenta controlar os jovens incontroláveis. Mas é possível ir além dessas medidas, inclusive da gritaria com os gastadores cheios de espinhas


Anna Paula Buchalla*
Revista Veja – 06/10/2010


Graças a certos aparelhinhos que funcionam como acessórios inteligentes, pode-se economizar nas contas sem que isso resulte em mudanças drásticas nos hábitos da família. Eles cumprem a função de diminuir os gastos desnecessários. Com a ajuda de especialistas, VEJA selecionou seis produtos eficientes para seu bolso a longo prazo, para a conservação do planeta e, não menos relevante, para a manutenção das suas cordas vocais.

Graças a certos aparelhinhos que funcionam como acessórios inteligentes, pode-se economizar nas contas sem que isso resulte em mudanças drásticas nos hábitos da família. Eles cumprem a função de diminuir os gastos desnecessários. Com a ajuda de especialistas, VEJA selecionou seis produtos eficientes para seu bolso a longo prazo, para a conservação do planeta e, não menos relevante, para a manutenção das suas cordas vocais.

INTERRUPTORES QUE REGULAM INTENSIDADE DE LUZ
O que fazem: também chamados de dimmers, esses interruptores permitem ao morador controlar a intensidade de luminosidade da lâmpada. A diminuição em 20% da intensidade de luz é quase imperceptível ao olho humano e já resulta em economia.

Economia: "Manter a lâmpada acesa com 80% de sua capacidade reduz em 30% os gastos com iluminação e pode dobrar o tempo de vida útil da lâmpada", diz o engenheiro elétrico Pedro Braida Neto Redução na conta mensal com seis lâmpadas reguladas por dimmer: 9 reais .

Preço: a partir de 30 reais .

FILTRO DE LINHA ELÉTRICA
O que faz: ao ser conectado via USB ao computador, o filtro corta o fornecimento de energia aos equipamentos eletrônicos periféricos, como impressora, caixas de som e monitor, assim que o computador é desligado .

Economia: o aparelho evita que os acessórios consumam 9,2 kWh por mês quando ligados ininterruptamente em modo stand by .

Redução na conta mensal: 4 reais, considerando o uso de duas horas por dia do computador e demais acessórios .

Preço: 29,10 dólares (na Amazon) .

REGULADOR DE VAZÃO DO CHUVEIRO
O que faz: o registro permite que a pessoa controle a intensidade do jato da ducha (não tem a ver com a regulagem obtida com as torneiras) .

Economia: um chuveiro convencional gasta, em média, 20 litros por minuto. Com o regulador, esse volume pode ser ajustado para um fluxo de 8, 14 e 16 litros, sem que seu banho se torne menos agradável .

Redução na conta mensal: de 27 a 34 reais .

Preço: de 75 a 90 reais .

AREJADOR DE TORNEIRAS
O que faz: mistura ar à água, causando a sensação de maior volume. Com o arejador, o jato de água sai da torneira em forma de "chuveirinho".

Economia: entre 57% e 76%. Enquanto uma torneira convencional usa de 14 a 25 litros de água por minuto, com o arejador o consumo cai para 6 litros .

Redução na conta mensal: de 22 a 30 reais .

Preço: de 28 a 35 reais .

VÁLVULA DE DESCARGA COM ACIONAMENTO DUPLO
O que faz: as válvulas mais modernas têm duas teclas de acionamento. A destinada à remoção de resíduos sólidos usa 6 litros de água por descarga; a de resíduos líquidos, apenas 3 .

Economia: como um equipamento convencional usa de 10 a 12 litros de água por descarga, a substituição causa uma economia de 40% a 50% no fim do mês .

Redução na conta mensal: de 9 a 11 reais .

Preço: de 85 a 171 reais (válvula); de 250 a 2 600 reais (bacia com caixa acoplada) .

FILTRO DE LINHA ELÉTRICA COM SENSOR DE PRESENÇA
O que faz: um sensor eletrônico bloqueia a energia de até seis aparelhos em stand by ao detectar a ausência de movimento no ambiente. O período para que os equipamentos sejam automaticamente desligados pode ser regulado entre trinta segundos e trinta minutos .

Economia: o filtro pode representar um corte de 5% na conta de luz, considerando o consumo médio de 157 kWh por mês das residências brasileiras, segundo o Ministério de Minas e Energia .

Redução na conta mensal: 4 reais, prevendo-se o uso de duas horas por dia do computador, som, TV e demais acessórios .

Preço: 91,25 dólares (no site energyfederation.org) .

VEJA TAMBÉM:
Ecológico e econômico: O modelo W+W integra cuba de pia e vaso sanitário em uma única peça. A criação dos designers italianos Gabriele e Oscar Buratti reduz o desperdício de água - porque a água usada para lavar as mãos é aproveitada para dar descarga .

Como funciona: toda a água utilizada no lavatório escorre para a caixa de descarga. A válvula tem duas teclas de acionamento: uma para 3 (resíduos líquidos) e outra para 6 litros (resíduos sólidos).

Preço: 14 000 reais .

*Outras fontes consultadas: os engenheiros Paulo Costa, diretor comercial da consultoria H2C, e Paulo Milano, diretor da Siclo Consultoria; o administrador Ronaldo Gonçalves, da Sabesp; Eletropaulo; Eletrobras; Agência Nacional de Energia Elétrica; a loja de materiais de construção C&C; e as empresas Schneider Electric, Legrand, Deca, Docol, Draco, Roca e Z Wave.

Festas de Trabalho pelo Clima

7 de outubro de 2010

Caros amigos,

Neste domingo, 10/10/10, nós iremos quebrar um record mundial: cidadãos de 187 nações irão organizar mais de 6300 "festas de trabalho pelo clima" desde Brasil até o Palau. A mensagem: pessoas ao redor do mundo estão agindo pelo clima -- e chegou a hora dos governantes se juntarem a nós.

Vamos mostrar que o movimento climático global está em todos lugares, energizado e gigante -- clique para encontrar um evento:
Neste domingo, em mais de 6.300 eventos em 187 países, cidadãos ao redor do mundo irão desmascarar um boato perigoso: que o movimento climático global desapareceu.

Vamos mostrar aos líderes mundiais e à imprensa que nós estamos mais diversificadas, maiores e mais criativos do que nunca - e que nós simplesmente não vamos desistir até que o nosso planeta, e todos os que vivem nele, estejam a salvo.

No domingo, 10 de outubro - que é 10/10/10, uma data para se lembrar – nós vamos nos reunir em "festas de trabalho" para o clima ao redor do mundo, demonstrando a nossa determinação e soando um apelo aos nossos governantes: "Nós estamos colocando a mão na massa ... e você? "

Quanto mais pessoas participarem, mais direta será a nossa mensagem de determinação para derrotar as mudanças climáticas. Estas festas não serão somente incrivelmente úteis, como divertidas também. Clique abaixo para encontrar um evento perto de você e confirmar a presença (ou inscrever o seu próprio evento) - é hora de arregaçar as mangas e agir:

http://www.avaaz.org/po/global_work_party/?vl

O momento é crítico: nas próximas semanas e meses, nossos governantes irão tomar decisões importantes sobre o esforço para conseguir um novo tratado climático global. O ano todo eles ficaram se lamentando sobre a Conferência de Copenhague que aconteceu em dezembro, onde países não conseguiram chegar a um acordo vinculante – e nem mesmo a um compromisso de elaborar um. Se os políticos pensarem que as mobilizações populares por ações climáticas acabaram, eles irão ceder ao lobby do combustível fóssil - e simplesmente desistir de chegar a um acordo real.

Mas mesmo com os governos se esquivando, a crise climática está acelerando. 2010 é o ano mais quente já registrado. Desastres naturais ligados ao clima, como as inundações no Paquistão, custaram milhares de vidas. E os cientistas dizem que a situação está piorando. Nosso movimento tem que estar à frente da crise climática e precisamos puxar os políticos conosco.

Ao demonstrar a nossa determinação, a Festa de Trabalho Global irá lançar um desafio aos nossos governantes. Eventos locais incluem o plantio de árvores no interior da Tanzânia, a instalação de painéis solares na China, e um passeio de bicicleta internacional da Jordânia para Israel - junto com eventos muito mais simples organizados por pequenos grupos de amigos. Onde quer que estejamos e qualquer que seja a nossa ação, nós estamos passando uma mensagem: nós estamos gerando soluções para as mudanças climáticas em nossas proprias comunidades, os nossos governantes não têm desculpa para não começar a trabalhar a nível nacional e mundial.

Quanto mais pessoas participarem, mais poderosa será a nossa mensagem. 10/10/10 é daqui a poucos dias, e é fácil participar - clique para se inscrever:

http://www.avaaz.org/po/global_work_party/?vl

Embora haja pouco tempo para enfrentar as mudanças climáticas, o movimento climático em si, é relativamente jovem. A abolição do comércio transatlântico de escravos e o fim do Apartheid levou décadas. Porém, as mudanças climáticas, por causa de sua ameaça a todos em todos os lugares, tem um poder especial de unir as pessoas além das fronteiras.

No ano passado, uma onda extraordinária de atividade, com sucessivos dias de ação global (21 de setembro, 24 de outubro e 12 de dezembro) levaram os Chefes de Estado do mundo todo a estarem presentes na Conferência de Copenhague. Foi de tirar o fôlego, mas não foi o suficiente. Este fim de semana, vamos renovar nosso compromisso de lutar pelas seis bilhões de vidas - e mostrar que não estamos indo a lugar algum, enquanto nós temos um planeta para salvar.

Com esperança e determinação,

Ben, Iain, Ben M, Maria Paz, Ricken, David, Graziela e toda a equipe Avaaz

PS: Estes eventos estão sendo organizados por uma vasta gama de grupos e indivíduos, com o apoio dos amigos da Avaaz, a 350.org - utilizando ferramentas da web que facilitam a localização de um evento ou o cadastro de um novo evento. Inscreva-se para um evento com estas ferramentas, e a 350 irá enviar algumas mensagens úteis nas vésperas do dia de ação. Aqui está o link novamente:

http://www.avaaz.org/po/global_work_party/?vl



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EVENTOS EM SALVADOR

Salvador
Brasil




A Avaaz é uma rede de campanhas globais de 5,6 milhões de pessoas que se mobiliza para garantir que os valores e visões da sociedade civil global influenciem questões políticas internacionais. ("Avaaz" significa "voz" e "canção" em várias línguas). Membros da Avaaz vivem em todos os países do planeta e a nossa equipe está espalhada em 13 países de 4 continentes, operando em 14 línguas. Saiba mais sobre as nossas campanhas aqui, nos siga no Facebook ou Twitter.

Esta mensagem foi enviada para lucianasarno@gmail.com. Para entrar em contato com a Avaaz não responda este email, escreva para nós no link www.avaaz.org/po/contact.


O abandono das Praças de Salvador

3 de outubro de 2010

Por Hieros Vasconcelos, do A TARDE

Praça: qualquer espaço público urbano, livre de edificações e que propicie convivência e recreação para seus usuários. Em Salvador, no entanto, o item recreação está distante da realidade. São 570 praças que pouco têm a oferecer para a população: escuras e sem policiamento, tornaram-se alvos fáceis para a depredação e servem de dormitório e sanitário para moradores de rua, além de ponto para usuários de drogas.

Praça da Piedade: ocupada por moradores de rua e abandonada pelo poder público

Praça da Piedade: ocupada por moradores de rua e abandonada pelo poder públicoResponsável pela manutenção e conserto dos espaços, a Companhia de Desenvolvimento Urbano (Desal) – autarquia da Secretaria Municipal de Transporte e Infraestrutura (Setin) – reconhece a degradação e informa que são gastos com a manutenção pelo menos R$ 3,5 mil por dia, o que soma cerca de R$ 900 mil, até agora, em 2010. Este ano, 70 monumentos foram arrancados ou destruídos. “Com o total gasto, dava para construir uma praça por mês”, diz o titular da Setin, Euvaldo Jorge.

A justificativa para o triste cenário, diz Euvaldo Jorge, está na ação de vândalos, que roubam equipamentos para vender e comprar drogas, e no grande número de moradores de rua em Salvador. “Arrumamos uma praça hoje e amanhã faltam equipamentos, como cabos de iluminação, refletores e pedaços de estátuas”, relata ele. Segundo dados da Desal, 70% dos espaços sofrem depredação após a inauguração. De acordo com o órgão, Salvador é a cidade que mais tem praças no Brasil.

A equipe de A TARDE percorreu nove espaços públicos conhecidos: Largo da Madragoa, Largo de Roma, Largo do Papagaio, Praça Dois de Julho, Praça da Piedade, Praça Olga Mettig, Passeio Público, Largo do Campo Grande e a Carlos Batalha (Rio Vermelho).

Em todos os espaços visitados, verificaram-se lâmpadas de postes apagadas, grama e árvores sem cuidado, parques para crianças quebrados, ausência de policiamento, de guarda municipal e de fiscalização. A Secretaria Municipal de Serviços Públicos (Sesp) não se pronunciou sobre o tema, apesar dos pedidos de A TARDE, até o fechamento da edição deste domingo, 3.


Leia reportagem completa na edição impressa do Jornal A Tarde deste domingo, 3, ou, se você é assinante, acesse aqui a
versão digital.

Estrada atropela maior lago subterrâneo do Brasil, na Bahia

19 de setembro de 2010

Por CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA

A pavimentação de uma estrada no sudoeste da Bahia atropelou, literalmente, a caverna que abriga o maior lago subterrâneo do Brasil.

O estrago foi verificado por um espeleólogo e motivou a visita de uma equipe do Instituto Chico Mendes ao local na última sexta-feira.

O órgão, agora, quer descobrir se o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) errou na concessão da licença de um trecho da obra da rodovia BR-135 ou se o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) faz o trabalho num trecho não licenciado.

Grupo Bambuí/Divulgação
Vista do sistema de cavernas que abriga o lago subterrâneo no sudoeste baiano; espeleólogos relatam queda de pedras.

Vista do sistema de cavernas que abriga o lago subterrâneo no sudoeste baiano; espeleólogos relatam queda de pedras.

A vítima principal é o Buraco do Inferno da Lagoa do Cemitério, caverna que abriga o lago de 13.860 m2.

A gruta integra o sistema de cavernas João Rodrigues, no carste (formação de rocha calcária caracterizada por cavernas, que lembra um queijo suíço) de São Desidério, município baiano na fronteira da expansão da soja.

Segundo Alexandre Lobo, do Grupo Bambuí de Pesquisas Espeleológicas, há mais de uma centena de cavernas na região. Três dezenas delas são consideradas "expressivas" e deveriam estar protegidas. O Instituto Chico Mendes tem planos de criar uma unidade de conservação ali.

ALTERNATIVA

Em 2008, Lobo integrou uma equipe que mapeou as grutas na região de influência da BR-135. O objetivo era sugerir um traçado alternativo para a obra de pavimentação da estrada, justamente para desviá-la do carste.

No mês passado, o espeleólogo foi a São Desidério fazer fotos do lago subterrâneo. "Deparei com desmatamento e terraplenagem e as obras em curso", conta.

"No ponto onde o conduto [teto da caverna] é mais alto, sobre o lago, vi que havia blocos de rocha caídos recentemente", continua Lobo. "Há dolinas [buracos naturais na rocha calcária] entupidas, tudo isso resultado das máquinas que trabalham no local."

A estrada, é verdade, já passava por cima da caverna. Como era uma estrada de terra, porém, o trânsito local era pequeno. Quando o Dnit pediu a licença para pavimentar a estrada, que será usada para escoar a produção agrícola da região, o Ibama aproveitou para corrigir o traçado do trecho problemático.

Segundo o Dnit, 19 km dos 60 km da obra não receberam licença por decisão do Ibama. A obra continuou no restante. Em maio deste ano, o órgão autorizou que o asfaltamento prosseguisse por mais 14 km de estrada.

O Dnit afirmou à Folha, por meio de sua assessoria de imprensa, que a obra em curso se limita ao trecho autorizado. Os outros 5 km embargados, que segundo o departamento corresponderiam "à caverna", continuariam parados, à espera da conclusão do estudo sobre o desvio.

Lobo contesta o Dnit. Ele diz que há obras ocorrendo exatamente sobre a caverna. "Inspecionamos a obra. Ela está ocorrendo", diz o gerente do Ibama em Barreiras, Zenildo Soares. "Falta definir as coordenadas do local onde ela foi impedida."

O espeleólogo Jussykledson de Souza, que mora em São Desidério, acompanhou na sexta a equipe do Instituto Chico Mendes que foi vistoriar o local. "O teto da caverna está caindo. Vimos blocos caírem", afirmou.

"Ter ou não ter licença só agrava a situação. O que nos preocupa é a integridade do sistema", disse Jocy Cruz, chefe do Cecav (Centro Nacional de Estudo, Proteção e Manejo de Cavernas), do Instituto Chico Mendes.

Aquecimento de 1,3°C é inevitável, diz pesquisa

11 de setembro de 2010

Por GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO


O que aconteceria se a Terra parasse seu rimo de expansão e nenhuma nova usina ou veículo capaz de emitir carbono fossem construídos? Ainda assim, a temperatura do planeta aumentaria 1,3°C, até 2060, em relação ao período pré-industrial.

A conclusão é de pesquisadores dos EUA, que fizeram um dos mais detalhados levantamentos sobre emissões de carbono ligadas à geração de energia e à estrutura de transportes. O material foi publicado na revista "Science" de ontem. 

O planeta vai esquentar, mas para os os cientistas ele ainda não chegou ao patamar de aquecimento e emissões em que as consequências se tornam irreversíveis. 


Editoria de Arte/Folhapress

O aumento de 1,3°C em relação ao período anterior à revolução industrial --cerca de 0,5°C a mais que hoje-- foi considerado até modesto pelos pesquisadores, que esperavam crescimento de pelo menos 2°C. 

A concentração de carbono na atmosfera, no mesmo período, deve ficar em 430 ppm (partes por milhão), valor também abaixo do que era esperado inicialmente pelos pesquisadores. 

"Esse resultado nos surpreendeu", afirmou Steven Davis, da Instituição Carnegie para a Ciência, que chefiou o trabalho. 

PIOR NO FUTURO
 
Segundo ele, porém, não há motivos para comemorar. Os resultados indicam que as principais ameaças ao planeta ainda estão por vir, devido ao sistema de geração de energia e transportes que são muito dependentes de combustíveis fósseis. 

"É importante que nós façamos a coisa certa agora. Ou seja, construir tecnologias que gerem energia com baixa emissão de carbono", disse Ken Caldeira, também do Carnegie e autor do trabalho. 

Para chegar ao resultado, os cientistas fizeram um levantamento sobre todas as usinas geradoras de energia em operação no mundo. Eles também estimaram as emissões do sistema global de transportes, que tem dois terços das operações com combustíveis fósseis. 

Modelos computadorizados, que simulavam os cenários de emissão previstos pelo IPCC (painel de mudanças climáticas da ONU), chegaram às conclusões.

Por conta da forte presença de termoelétricas, a maior parte das emissões se concentra nos EUA, Europa Ocidental e China. 

A vida útil média das unidades movidas a carvão é de 40 anos. As usinas chinesas, por serem mais novas, têm potencial para poluírem por mais tempo.

Designer projeta computador feito com papel reciclado

8 de maio de 2010

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Com a evolução tecnológica, os objetos se tornam obsoletos da noite para o dia e toneladas de equipamentos acabam no lixo poucos meses após sua fabricação.

Câmeras fotográficas, celulares e até computadores são substituídos sem que seus materiais eletrônicos, geralmente carregados de substâncias tóxicas, sejam descartados corretamente. Todos esses equipamentos acabam no lixo comum e causam graves danos ao meio ambiente.

Pensando nisso, o designer Je Sung Park projetou um notebook feito com papel reciclado que pode ter sua estrutura substituída sem comprometer o resto do equipamento e reduz as agressões ambientais comuns nesse tipo de descarte.

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Muitas camadas de papel reciclado são prensadas até formar uma estrutura rígida e resistente. Com o monobloco pronto, as peças e dispositivos eletrônicos são inseridos na estrutura, formando um computador tão eficiente quanto um fabricado com materiais mais agressivos, como o plástico e os metais.

Assim, quando o usuário precisar substituir alguma peça, ele poderá trocar a estrutura por uma nova e montar novamente a parte eletrônica. O case poderá ser reciclado e virar um novo produto.

Futuro de produtos inteligentes e sustentáveis

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O projeto, claro, ainda não está pronto e precisa ser desenvolvido um pouco mais para se tornar viável. Mas o dono da ideia tem planos de colocá-lo em prática nos próximos dez anos e dar início a uma era de computadores menos agressivos ao meio ambiente e mais práticos e acessíveis para os usuários.

“Até agora, os computadores têm sido um símbolo de tecnologia. Mas nós precisamos de computadores mais avançados, que sejam mais fáceis de usar a qualquer hora e em qualquer lugar e que tragam soluções ambientais”, diz.

Índice de raios ultravioleta fica extremo em 15 cidades do Brasil

23 de fevereiro de 2010

Por Folha Online

Os raios UV (ultravioleta) chegaram à condição extrema de radiação na manhã desta terça-feira em Brasília e em 14 capitais do país, segundo a Somar Meteorologia, marcando índice entre 11 e 14, numa escala cuja o máximo corresponde a 14. Para o período da tarde, mais capitais brasileiras podem alcançar marcação extrema, inclusive São Paulo.

Veja os índices ultravioleta registrados nas capitais do Brasil
Índice UV mede nível de radiação; saiba como se proteger

De acordo com o meteorologista Marcel Rocco, do Somar Meteorologia, a elevação do índice acontece devido a fatores como a estação do ano e a pouca nebulosidade, que causam a elevação do nível de raios solares que chegam à superfície da Terra. Além disso, ele aponta que essa é uma condição que se repetiu algumas vezes nas últimas semanas.

Para a médica Selma Cernea, coordenadora da Campanha de Prevenção ao Câncer de Pele, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, o alto índice registrado de raios UV aumenta o risco de danos à pele, que podem variar de uma vermelhidão até o aparecimento de manchas, envelhecimento e câncer de pele, se a exposição for feita por tempo prolongado, regularmente.

Os locais com índices mais elevados, às 10h, eram Brasília, Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Boa Vista, Fortaleza, João Pessoa, Macapá, Maceió, Natal, Palmas e Recife, com índice 14, seguidos por Rio de Janeiro e Vitória, com 13, e Porto Alegre, que tinham índice 11, considerado extremo.

De acordo com a escala, índices de 1 a 2 são considerados baixos; de três a cinco são apontados como moderados; seis e sete são altos; já entre oito e dez são considerados muito alto; enquanto os superiores a dez são apontados como extremos.

Na cidade de São Paulo, o índice era de 5 no horário, considerado moderado. Apesar disso, o Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontava previsão de elevação do índice, podendo alcançar níveis extremos --de 11 a 14.

Para evitar problemas causados pelos raios ultravioletas as pessoas devem evitar exposição ao sol. Mas quando for necessário, devem usar protetor solar e roupas com cores claras, que refletem a radiação diminuindo o contato dela com a pele. Em casos de aparecimento de mancha na pele durante um tempo prolongado, a pessoa deve procurar um médico.

Cientistas brasileiros desenvolvem software para analisar meio ambiente

19 de fevereiro de 2010

Por Redação do IDG Now!
Publicada em 19 de fevereiro de 2010 às 12h50

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Programa aponta ocorrência de espécies raras, controle de doenças infecciosas e previsão de impactos de mudanças climáticas.

Um grupo de cientistas brasileiros concluiu, após quatro anos de pesquisa, o desenvolvimento do openModeller - um ambiente computacional que, por meio de softwares livres de código aberto, permite modelar e estudar a distribuição de espécies biológicas em diferentes cenários.

Segundo os pesquisadores, o novo software é capaz de apontar áreas importantes como ocorrência de espécies raras, controle de doenças infecciosas e até previsão de impactos das mudanças climáticas globais e das atividades humanas.

Em entrevista à Agência Fapesp, o coordenador do projeto, Vanderlei Perez Canhos, detalhou o conceito envolvendo o openModeller. De acordo com ele, esse processo se dá em torno de um ambiente computacional que permite selecionar diferentes camadas de dados e algoritmos e, assim, obter acesso a mecanismos capazes de analisar dados antes e depois do processamento.

O cientista ainda explicou que o armazenamento de dados sobre ocorrências de espécies é fundamental não só para construir cenários voltados para a conservação da biodiversidade, mas também para desenhar estratégias para o controle de doenças infecciosas.

Trata-se de um ambiente computacional de acesso gratuito, com interface amigável, que possibilita a modelagem da distribuição de espécies e dados ambientais com uso de diferentes algoritmos, projetando os modelos em diversos cenários e utilizando diferentes plataformas, informou Canhos.

Todo o trabalho foi realizado em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
Com informações da Agência Fapesp

Lei cria a Política Nacional sobre Mudança do Clima

3 de janeiro de 2010

A lei que instituiu a Política Nacional sobre Mudança do Clima (Lei 23.187/09) foi publicada no Diário Oficial na última quinta-feira (30/12). Nela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém para 2020 a meta de redução de emissões nacionais de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9%.

De acordo com o artigo 12 da norma, o detalhamento das ações para alcançar as metas previstas se dará por meio de decreto, baseado no Inventário Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal, que será concluído neste ano de 2010.

Este mês o governo tem reunião marcada com acadêmicos e empresários da construção civil, mineração, do setor agropecuário, da indústria de bens de consumo, de serviços de saúde e transporte público para discutir medidas que devem ser adotadas. A discussão, somada aos resultados do Inventário, resultará no decreto que irá especificar a meta de cada setor da economia.

Em entrevista, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, observou que o Brasil tem até o dia 31 de janeiro para oficializar na ONU, a meta brasileira de redução de emissões.

No início de dezembro, o presidente Lula sancionou a lei que cria o Fundo Nacional sobre Mudanças Climáticas (Lei 12.014/09), que busca assegurar recursos para projetos e ações que contribuam para a mitigação da mudança do clima e adaptação a seus efeitos. O texto da lei determina que o fundo ficará vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e será administrado por um comitê formado por representantes do governo federal e da sociedade civil.

Os vetos
A lei de Mudanças Climáticas foi aprovada com três vetos. Um deles proíbe o contingenciamento de recursos com ações de enfrentamento das alterações climáticas. O veto se deu porque a lei não pode dispor sobre o contingenciamento de recursos orçamentários.

A pedido do Ministério de Minas e Energia foi vetado o item que trata do estímulo ao desenvolvimento e ao uso de tecnologias limpas e ao paulatino abandono do uso de fontes energéticas que utilizem combustíveis fósseis.

O terceiro veto recai sobre o artigo 10, que trata da substituição gradativa dos combustíveis fósseis e estabelece as formas como seria feita essa substituição. O veto também ocorreu a pedido do Ministério de Minas e Energia e entre os motivos apontados está o fato de o texto tratar apenas de usinas hidrelétricas de pequeno porte.

Leia a íntegra da lei
Lei 12.187/2009
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Esta Lei institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC e estabelece seus princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos.

Art 2º Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:
I - adaptação: iniciativas e medidas para reduzir a vulnerabilidade dos sistemas naturais e humanos frente aos efeitos atuais e esperados da mudança do clima;
II - efeitos adversos da mudança do clima: mudanças no meio físico ou biota resultantes da mudança do clima que tenham efeitos deletérios significativos sobre a composição, resiliência ou produtividade de ecossistemas naturais e manejados, sobre o funcionamento de sistemas socioeconômicos ou sobre a saúde e o bem-estar humanos;
III - emissões: liberação de gases de efeito estufa ou seus precursores na atmosfera numa área específica e num período determinado;
IV - fonte: processo ou atividade que libere na atmosfera gás de efeito estufa, aerossol ou precursor de gás de efeito estufa;
V - gases de efeito estufa: constituintes gasosos, naturais ou antrópicos, que, na atmosfera, absorvem e reemitem radiação infravermelha;
VI - impacto: os efeitos da mudança do clima nos sistemas humanos e naturais;
VII - mitigação: mudanças e substituições tecnológicas que reduzam o uso de recursos e as emissões por unidade de produção, bem como a implementação de medidas que reduzam as emissões de gases de efeito estufa e aumentem os sumidouros;
VIII - mudança do clima: mudança de clima que possa ser direta ou indiretamente atribuída à atividade humana que altere a composição da atmosfera mundial e que se some àquela provocada pela variabilidade climática natural observada ao longo de períodos comparáveis;
IX - sumidouro: processo, atividade ou mecanismo que remova da atmosfera gás de efeito estufa, aerossol ou precursor de gás de efeito estufa; e
X - vulnerabilidade: grau de suscetibilidade e incapacidade de um sistema, em função de sua sensibilidade, capacidade de adaptação, e do caráter, magnitude e taxa de mudança e variação do clima a que está exposto, de lidar com os efeitos adversos da mudança do clima, entre os quais a variabilidade climática e os eventos extremos.

Art. 3º A PNMC e as ações dela decorrentes, executadas sob a responsabilidade dos entes políticos e dos órgãos da administração pública, observarão os princípios da precaução, da prevenção, da participação cidadã, do desenvolvimento sustentável e o das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, este último no âmbito internacional, e, quanto às medidas a serem adotadas na sua execução, será considerado o seguinte:
I - todos têm o dever de atuar, em benefício das presentes e futuras gerações, para a redução dos impactos decorrentes das interferências antrópicas sobre o sistema climático;
II - serão tomadas medidas para prever, evitar ou minimizar as causas identificadas da mudança climática com origem antrópica no território nacional, sobre as quais haja razoável consenso por parte dos meios científicos e técnicos ocupados no estudo dos fenômenos envolvidos;
III - as medidas tomadas devem levar em consideração os diferentes contextos socioeconomicos de sua aplicação, distribuir os ônus e encargos decorrentes entre os setores econômicos e as populações e comunidades interessadas de modo equitativo e equilibrado e sopesar as responsabilidades individuais quanto à origem das fontes emissoras e dos efeitos ocasionados sobre o clima;
IV - o desenvolvimento sustentável é a condição para enfrentar as alterações climáticas e conciliar o atendimento às necessidades comuns e particulares das populações e comunidades que vivem no território nacional;
V - as ações de âmbito nacional para o enfrentamento das alterações climáticas, atuais, presentes e futuras, devem considerar e integrar as ações promovidas no âmbito estadual e municipal por entidades públicas e privadas;
VI – (VETADO)

Art. 4º A Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC visará:
I - à compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a proteção do sistema climático;
II - à redução das emissões antrópicas de gases de efeito estufa em relação às suas diferentes fontes;
III – (VETADO);
IV - ao fortalecimento das remoções antrópicas por sumidouros de gases de efeito estufa no território nacional;
V - à implementação de medidas para promover a adaptação à mudança do clima pelas 3 (três) esferas da Federação, com a participação e a colaboração dos agentes econômicos e sociais interessados ou beneficiários, em particular aqueles especialmente vulneráveis aos seus efeitos adversos;
VI - à preservação, à conservação e à recuperação dos recursos ambientais, com particular atenção aos grandes biomas naturais tidos como Patrimônio Nacional;
VII - à consolidação e à expansão das áreas legalmente protegidas e ao incentivo aos reflorestamentos e à recomposição da cobertura vegetal em áreas degradadas;
VIII - ao estímulo ao desenvolvimento do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões - MBRE.
Parágrafo único. Os objetivos da Política Nacional sobre Mudança do Clima deverão estar em consonância com o desenvolvimento sustentável a fim de buscar o crescimento econômico, a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais.

Art. 5º São diretrizes da Política Nacional sobre Mudança do Clima:
I - os compromissos assumidos pelo Brasil na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, no Protocolo de Quioto e nos demais documentos sobre mudança do clima dos quais vier a ser signatário;
II - as ações de mitigação da mudança do clima em consonância com o desenvolvimento sustentável, que sejam, sempre que possível, mensuráveis para sua adequada quantificação e verificação a posteriori;
III - as medidas de adaptação para reduzir os efeitos adversos da mudança do clima e a vulnerabilidade dos sistemas ambiental, social e econômico;
IV - as estratégias integradas de mitigação e adaptação à mudança do clima nos âmbitos local, regional e nacional;
V - o estímulo e o apoio à participação dos governos federal, estadual, distrital e municipal, assim como do setor produtivo, do meio acadêmico e da sociedade civil organizada, no desenvolvimento e na execução de políticas, planos, programas e ações relacionados à mudança do clima;
VI - a promoção e o desenvolvimento de pesquisas científico-tecnológicas, e a difusão de tecnologias, processos e práticas orientados a:
a) mitigar a mudança do clima por meio da redução de emissões antrópicas por fontes e do fortalecimento das remoções antrópicas por sumidouros de gases de efeito estufa;
b) reduzir as incertezas nas projeções nacionais e regionais futuras da mudança do clima;
c) identificar vulnerabilidades e adotar medidas de adaptação adequadas;
VII - a utilização de instrumentos financeiros e econômicos para promover ações de mitigação e adaptação à mudança do clima, observado o disposto no art. 6o;
VIII - a identificação, e sua articulação com a Política prevista nesta Lei, de instrumentos de ação governamental já estabelecidos aptos a contribuir para proteger o sistema climático;
IX - o apoio e o fomento às atividades que efetivamente reduzam as emissões ou promovam as remoções por sumidouros de gases de efeito estufa;
X - a promoção da cooperação internacional no âmbito bilateral, regional e multilateral para o financiamento, a capacitação, o desenvolvimento, a transferência e a difusão de tecnologias e processos para a implementação de ações de mitigação e adaptação, incluindo a pesquisa científica, a observação sistemática e o intercâmbio de informações;
XI - o aperfeiçoamento da observação sistemática e precisa do clima e suas manifestações no território nacional e nas áreas oceânicas contíguas;
XII - a promoção da disseminação de informações, a educação, a capacitação e a conscientização pública sobre mudança do clima;
XIII - o estímulo e o apoio à manutenção e à promoção:
a) de práticas, atividades e tecnologias de baixas emissões de gases de efeito estufa;
b) de padrões sustentáveis de produção e consumo.

Art. 6º São instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima:
I - o Plano Nacional sobre Mudança do Clima;
II - o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima;
III - os Planos de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento nos biomas;
IV - a Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, de acordo com os critérios estabelecidos por essa Convenção e por suas Conferências das Partes;
V - as resoluções da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima;
VI - as medidas fiscais e tributárias destinadas a estimular a redução das emissões e remoção de gases de efeito estufa, incluindo alíquotas diferenciadas, isenções, compensações e incentivos, a serem estabelecidos em lei específica;
VII - as linhas de crédito e financiamento específicas de agentes financeiros públicos e privados;
VIII - o desenvolvimento de linhas de pesquisa por agências de fomento;
IX - as dotações específicas para ações em mudança do clima no orçamento da União;
X - os mecanismos financeiros e econômicos referentes à mitigação da mudança do clima e à adaptação aos efeitos da mudança do clima que existam no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e do Protocolo de Quioto;
XI - os mecanismos financeiros e econômicos, no âmbito nacional, referentes à mitigação e à adaptação à mudança do clima;
XII - as medidas existentes, ou a serem criadas, que estimulem o desenvolvimento de processos e tecnologias, que contribuam para a redução de emissões e remoções de gases de efeito estufa, bem como para a adaptação, dentre as quais o estabelecimento de critérios de preferência nas licitações e concorrências públicas, compreendidas aí as parcerias público-privadas e a autorização, permissão, outorga e concessão para exploração de serviços públicos e recursos naturais, para as propostas que propiciem maior economia de energia, água e outros recursos naturais e redução da emissão de gases de efeito estufa e de resíduos;
XIII - os registros, inventários, estimativas, avaliações e quaisquer outros estudos de emissões de gases de efeito estufa e de suas fontes, elaborados com base em informações e dados fornecidos por entidades públicas e privadas;
XIV - as medidas de divulgação, educação e conscientização;
XV - o monitoramento climático nacional;
XVI - os indicadores de sustentabilidade;
XVII - o estabelecimento de padrões ambientais e de metas, quantificáveis e verificáveis, para a redução de emissões antrópicas por fontes e para as remoções antrópicas por sumidouros de gases de efeito estufa;
XVIII - a avaliação de impactos ambientais sobre o microclima e o macroclima.

Art. 7º Os instrumentos institucionais para a atuação da Política Nacional de Mudança do Clima incluem:
I - o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima;
II - a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima;
III - o Fórum Brasileiro de Mudança do Clima;
IV - a Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais - Rede Clima;
V - a Comissão de Coordenação das Atividades de Meteorologia, Climatologia e Hidrologia.
Art. 8º As instituições financeiras oficiais disponibilizarão linhas de crédito e financiamento específicas para desenvolver ações e atividades que atendam aos objetivos desta Lei e voltadas para induzir a conduta dos agentes privados à observância e execução da PNMC, no âmbito de suas ações e responsabilidades sociais.

Art. 9º O Mercado Brasileiro de Redução de Emissões - MBRE será operacionalizado em bolsas de mercadorias e futuros, bolsas de valores e entidades de balcão organizado, autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários - CVM, onde se dará a negociação de títulos mobiliários representativos de emissões de gases de efeito estufa evitadas certificadas.

Art. 10. (VETADO)

Art. 11. Os princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos das políticas públicas e programas governamentais deverão compatibilizar-se com os princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos desta Política Nacional sobre Mudança do Clima.
Parágrafo único. Decreto do Poder Executivo estabelecerá, em consonância com a Política Nacional sobre Mudança do Clima, os Planos setoriais de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas visando à consolidação de uma economia de baixo consumo de carbono, na geração e distribuição de energia elétrica, no transporte público urbano e nos sistemas modais de transporte interestadual de cargas e passageiros, na indústria de transformação e na de bens de consumo duráveis, nas indústrias químicas fina e de base, na indústria de papel e celulose, na mineração, na indústria da construção civil, nos serviços de saúde e na agropecuária, com vistas em atender metas gradativas de redução de emissões antrópicas quantificáveis e verificáveis, considerando as especificidades de cada setor, inclusive por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL e das Ações de Mitigação Nacionalmente Apropriadas - NAMAs.

Art. 12. Para alcançar os objetivos da PNMC, o País adotará, como compromisso nacional voluntário, ações de mitigação das emissões de gases de efeito estufa, com vistas em reduzir entre 36,1% (trinta e seis inteiros e um décimo por cento) e 38,9% (trinta e oito inteiros e nove décimos por cento) suas emissões projetadas até 2020.
Parágrafo único. A projeção das emissões para 2020 assim como o detalhamento das ações para alcançar o objetivo expresso no caput serão dispostos por decreto, tendo por base o segundo Inventário Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal, a ser concluído em 2010.

Art. 13. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 29 de dezembro de 2009; 188o da Independência e 121o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Nelson Machado
Edison Lobão
Paulo Bernardo Silva
Luís Inácio Lucena Adams

MENSAGEM Nº 1.123, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2009.
Senhor Presidente do Senado Federal,
Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público e inconstitucionalidade, o Projeto de Lei no 18, de 2007 (no 283/09 no Senado Federal), que “Institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC e dá outras providências”.

Ouvidos, os Ministérios da Fazenda, do Planejamento, Orçamento e Gestão e a Advocacia-Geral da União manifestaram-se pelo veto ao seguinte dispositivo:

Inciso VI do art. 3º
“Art. 3º …………………………………………..
VI - o dispêndio público com as ações de enfrentamento das alterações climáticas não sofrerá contingenciamento de nenhuma espécie durante a execução orçamentária.”

Razões do veto
“O dispositivo carreia comando com mandamentos genéricos sobre finanças públicas, matéria afeta a Lei Complementar, conforme previsto no art. 163, I, da Constituição Federal. Ademais, o dispositivo contraria o princípio presente na Lei de Responsabilidade Fiscal de que as prioridades de cada exercício devam ser definidas por meio das leis de diretrizes orçamentárias.” Ouvido, também, o Ministério de Minas e Energia manifestou-se pelo veto aos seguintes dispositivos:

Inciso III do art. 4º
“Art. 4º …………………………………………..
III - ao estímulo ao desenvolvimento e ao uso de tecnologias limpas e ao paulatino abandono do uso de fontes energéticas que utilizem combustíveis fósseis;
…………………………………………………………………………”

Razões do veto
“A atual política energética do País já tem priorizado a utilização de fontes de energia renováveis em sua matriz e obtido avanços amplamente reconhecidos no uso de tecnologias limpas. Uma das balizas dessa política é o aproveitamento racional dos vários recursos energéticos disponíveis, o que torna inadequada uma diretriz focada no abandono do uso de combustíveis fósseis. A estratégia para o setor deve atender aos princípios e objetivos estabelecidos pela Lei 9.478, de 6 de agosto de 1997, que congrega a proteção ao meio ambiente a outros valores relevantes para a política e a segurança energéticas.”

Art. 10
“Art. 10. A substituição gradativa dos combustíveis fósseis, como instrumento de ação governamental no âmbito da PNMC, consiste no incentivo ao desenvolvimento de energias renováveis e no aumento progressivo de sua participação na matriz energética brasileira, em substituição aos combustíveis fósseis.
Parágrafo único. A substituição gradativa dos combustíveis fósseis será obtida mediante:

I - o aumento gradativo da participação da energia elétrica produzida por empreendimentos de Produtores Independentes Autônomos, concebidos com base nas fontes eólicas de geração de energia, nas pequenas centrais hidrelétricas e de biomassa, no Sistema Elétrico Interligado Nacional;

II - o incentivo à produção de biodiesel, preferencialmente a partir de unidades produtoras de agricultura familiar e de cooperativas ou associações de pequenos produtores, e ao seu uso progressivo em substituição ao óleo diesel derivado de petróleo, particularmente no setor de transportes;

III - o estímulo à produção de energia a partir das fontes solar, eólica, termal, da biomassa e da co-geração, e pelo aproveitamento do potencial hidráulico de sistemas isolados de pequeno porte;

IV - o incentivo à utilização da energia térmica solar em sistemas para aquecimento de água, para a redução do consumo doméstico de eletricidade e industrial, em especial nas localidades em que a produção desta advenha de usinas termelétricas movidas a combustíveis fósseis;

V - a promoção, por organismos públicos de Pesquisa e Desenvolvimento científico-tecnológico, de estudos e pesquisas científicas e de inovação tecnológica acerca das fontes renováveis de energia;

VI - a promoção da educação ambiental, formal e não formal, a respeito das vantagens e desvantagens e da crescente necessidade de utilização de fontes renováveis de energia em substituição aos combustíveis fósseis;

VII - o tratamento tributário diferenciado dos equipamentos destinados à geração de energia por fontes renováveis;

VIII - o incentivo à produção de etanol e ao aumento das porcentagens de seu uso na mistura da gasolina;

IX - o incentivo à produção de carvão vegetal a partir de florestas plantadas.”

Razões do veto
“O dispositivo pretende indicar as formas de substituição dos combustíveis fósseis na matriz energética brasileira. Essa indicação, entretanto, não está adequadamente concatenada com as necessidades energéticas do País, o que pode fragilizar a confiabilidade e a segurança do sistema energético nacional. Há que se destacar, por exemplo, que as diretrizes do dispositivo desconsideram a possibilidade de utilização de energia produzida a partir de centrais hidrelétricas, fonte que contribui sobremaneira para que a matriz energética brasileira esteja entre as mais limpas do mundo, além de constituir grande parte da geração de energia elétrica do País.

Assim, as diretrizes da PNMC e da Política Energética Nacional deverão ser harmonizadas de forma a proteger o meio ambiente e, ao mesmo tempo, garantir a segurança energética necessária para o desenvolvimento do País. Essas, Senhor Presidente, as razões que me levaram a vetar os dispositivos acima mencionados do projeto em causa, as quais ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional.

Carnes e laticínios causam 51% do gás-estufa global, diz estudo

Por MAURÍCIO KANNO
colaboração para a Folha Online

Consultores do Banco Mundial relataram em periódico deste bimestre que substituir derivados animais na alimentação, como carnes e laticínios, por análogos vegetais, daria resultados mais rápidos contra o aquecimento global do que ações que trocam combustíveis fósseis por energia renovável.

Segundo estudo divulgado pela organização de pesquisa ambiental World Watch Institute, de Washington, a pecuária seria responsável por pelo menos 51% das emissões dos gases-estufa no mundo, ou 32,5 bilhões de toneladas.

Rogério Cassimiro/Folha Imagem
Gado em rodovia no Pará; 51% do gás-estufa mundial é da pecuária, diz estudo
Gado em rodovia no Pará; 51% do gás-estufa mundial é da pecuária, diz estudo

Se abraçada pela comunidade internacional, a tese representa uma virada de mesa no debate sobre a mudança climática, geralmente focado na questão energética.

Os autores do estudo, Robert Goodland e Jeff Anhang, respectivamente consultor-chefe aposentado e especialista, ambos da área ambiental do Banco Mundial, avaliam que o percentual de 18% normalmente divulgado para medir o impacto da pecuária no aquecimento global está "extremamente subestimado".

Mesmo a pesquisa anterior que estimava os 18%, da Organização para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), já dizia que a pecuária possui mais impacto no clima do que o setor dos transportes.

A ecóloga Magda Lima, da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), responsável por relatórios sobre a agropecuária no Brasil, acredita que os valores são superestimados. Ela também reclama que "os estudos precisam levar mais em conta as emissões históricas", diz ela.

Já o biólogo Sérgio Greif acha razoável o estudo, e até mesmo afirma já ter visto estudos que apontavam percentuais maiores no mundo.

O Brasil apresentou no sábado passado (12), em Copenhague, estudo preliminar que responsabilizava, só a pecuária bovina, por ao menos 50% dos gases do efeito estufa no país.


Arte/Folha Online

Uma das fontes de gás-estufa da pecuária desconsiderada, segundo os autores, é a emissão de gás carbônico devido à própria respiração dos rebanhos. A FAO afirma que a respiração dos rebanhos "faz parte de um sistema cíclico biológico". E, pela reconversão do CO2 em compostos orgânicos, não está listada como uma fonte reconhecida de gás-estufa sob o Protocolo de Kyoto.

SXC
A respiração dos animais é fator importante de emissão de gás-estufa por responsabilidade humana, dizem pesquisadores
A respiração dos animais é fator importante de emissão de gás-estufa por responsabilidade humana, dizem pesquisadores

Mas os autores ressaltam que o gado é "invenção e conveniência humana". Com isso, "hoje, mais dezenas de bilhões de animais criados pelo ser humano estão exalando CO2 que nos tempos pré-industriais", enquanto a capacidade fotossintética da Terra declinou gravemente com a falta de cobertura vegetal, defendem.

Os autores indicam ainda que as terras também seriam melhor usadas caso nelas fosse produzida diretamente comida para os humanos ou biocombustíveis, que poderiam substituir outras fontes de energia.

Metano

A FAO também destaca como ponto negativo o metano emitido pela digestão dos rebanhos. Este gás tem um potencial de aquecimento da Terra maior que o gás carbônico, mas sua duração na atmosfera é bem mais reduzida.

Mas o estudo divulgado pelo World Watch Institute aponta que o potencial de efeito estufa do metano é quase triplicado ao se utilizar uma linha do tempo de 20 anos --o que seria mais apropriado, por seus efeitos, segundo eles-- ao invés de 100 anos, como fez a FAO.

Goodland e Anhang apontam também que há emissões da pecuária alocadas em outros setores. Um exemplo é a criação de peixes e a pesca destinada à alimentação dos rebanhos.

Citam também o desperdício de partes não aproveitáveis dos animais, como ossos e gorduras incinerados; a cadeia paralela de subprodutos como couro e pele; e o cuidado sanitário maior no embalamento dos produtos da pecuária.

Mas eles vão ainda mais longe, ao consumidor final: consideram que o tempo de cozimento de alimentos derivados de animais é maior e isso leva ao uso de mais fluorocarbonetos e energia; além das emissões de carbono por tratamento médico de zoonoses e doenças degenerativas humanas devido ao consumo de derivados animais.

Soluções

Os autores indicam que neste contexto, a melhor estratégia na luta climática seria substituir produtos derivados de animais por análogos vegetais. Segundo seu estudo, apenas mudar o modo de produção ou tipo de carnes ou laticínios não teria uma redução significativa de seu impacto.

A bióloga Adriana Conceição, com especialização no impacto da pecuária bovina no Brasil, estima que medidas como alterar a dieta dos animais poderiam reduzir no máximo cerca de 10% de seu impacto.

Ela considera pioneira esta recomendação vinda de uma organização como a World Watch: "Em geral recomenda-se trocar certas fontes de energia por outras melhores", conta ela, "mas normalmente não se fala em substituição de alimentos."

Magda Lima já aposta na concentração das criações de animais em espaços reduzidos e em alteração de dietas, mas ainda estima que essas técnicas possam reduzir no máximo entre 15% e 20% de suas emissões.

O estudo divulgado pela World Watch também aponta a dificuldade que existe há muitos anos em se desenvolver tecnologias "verdes" para energia.

Assim, eles recomendam um esforço direcionado ao setor industrial para a oferta de "produtos análogos a carnes e laticínios" processados, como soja e diversos tipos de legumes e grãos. Quando processados, ficariam similares aos originados da pecuária.

Para viabilizar este novo movimento de mercado um significativo investimento em publicidade seria necessário, pois os produtos são novos para a maior parte dos consumidores. Recursos poderiam vir de fundos específicos para iniciativas de menor impacto de carbono na economia. E as embalagens poderiam ser diferenciadas mostrando o impacto de carbono dos alimentos.

Arquiteto constrói casa carbono zero com técnica medieval

23 de dezembro de 2009

Protótipo de casa verde (foto: Hawkes Architecture)

Casa pode servir como modelo para produção em larga escala.

Arquitetos da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, apresentaram nesta quarta-feira uma casa de carbono zero que pode vir a ser produzida em série no país em um futuro próximo.

A casa de quatro quartos, localizada nas proximidades da cidade de Staplehurst, utiliza uma técnica aplicada na construção de casas da época medieval e vista como mais eficiente na contenção de emissões de gases causadores do efeito estufas.

"O design é econômico, já que a casa é relativamente fácil de ser construída e, a partir do momento em que você sabe o que está fazendo, é rápido", afirmou o desenhista Michael Ramage, do Departamento de Arquitetura da Universidade de Cambridge.

Mais de um quarto (27%) das emissões de gases causadores do efeito estufa da Grã-Bretanha é gerado por residências, o que contribui de forma significativa para o aquecimento global.

Poucas casas são movidas unicamente por energia solar e muitos designs são muito caros, inviabilizando a produção em massa.

Protótipo de casa verde (foto: Hawkes Architecture)

Projeto une técnica medieval com novas tecnologias.

O governo britânico quer que todas casas novas sejam livres de emissões de gases causadores do efeito estufa em 2016.

Leveza e resistência

A construção em forma de arco é basicamente uma câmara de 20 metros coberta com terra e plantas, que servem de camuflagem e ajudam a construção a se mesclar com o ambiente rural.

O projeto é uma adaptação de uma técnica medieval que utiliza tijolos finos para criar construções leves e duráveis.

Assim, a casa adquire resistência estrutural e, ao mesmo tempo, evita a utilização de materiais que consomem muita energia na sua produção, como concreto armado.

A estrutura também fornece uma grande quantidade de massa térmica, permitindo a casa a reter calor, absorver flutuações de temperatura e reduzir a necessidade de sistemas de aquecimento ou resfriamento.

Qualquer aquecimento adicional é provido pela combinação de sistemas fotovoltaico e térmico de aquecimento, que capta energia solar.

Protótipo de casa verde (foto: Hawkes Architecture)

27% das emissões de gases na Grã-Bretanha vem de residências.

Além disso, um aquecedor de 11kW de biomassa foi instalado na casa para fornecer energia quando o sol tiver aparecido por alguns dias.

O isolamento térmico é feito com papel de jornal reciclado.

"A construção mostra como o design contemporâneo pode promover materiais locais e integrar novas tecnologias para produzir um prédio altamente auto-sustentável", afirmou o arquiteto responsável pelo projeto, Richard Hawkes, que será o primeiro ocupante da casa.

 

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