Floresta vale mais em pé do que devastada, diz Mangabeira Unger

14 de outubro de 2008

Por Ivy Farias, da Agência Brasil

São Paulo - O ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, disse nessa segunda-feira (13) que o valor da floresta Amazônica está na sua existência. "A Amazônia vale mais em pé do que derrubada", afirmou durante apresentação do Prêmio Eco, na Câmara Americana de Comércio (Amcham), em São Paulo. "A Amazônia é um lugar privilegiado e de vanguarda, que precisa ser preservada", acrescentou o ministro.

Segundo Mangabeira, o primeiro passo para parar o desmatamento é uma reforma no que se refere às leis. "É preciso simplificar as leis e os procedimentos não só para as grandes indústrias, como também para os pequenos e médios produtores", defendeu.

O ministro disse que serão os pequenos e médios produtores os maiores responsáveis pela preservação da floresta. "Eles formarão um cinturão protetor. Nós os ajudaremos com a criação de atividades técnicas e um mecanismo para remuneração e, em troca, eles cuidarão e prestarão contas da Amazônia", disse.

Para Mangabeira, o Plano da Amazônia Sustentável (PAS) contará com o apoio do Exército e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Lula está entusiasmado com o projeto. O Exército será um grande parceiro para pôr os planos em prática pois é um interlocutor constante da Amazônia", completou.

Ainda sem data definida para começar, o PAS, segundo Mangabeira, é uma combinação de estrutura e impacto imediato. "Proponho ações que que podem começar a funcionar agora e durarão para sempre", disse.

(Envolverde/Agência Brasil)

Plano de mudança climática só prevê medidas voluntárias de redução de emissões

2 de outubro de 2008

Brasília - A versão prévia do Plano Nacional de Mudança Climática, apresentada nessa quinta-feira (25) pelos ministros do Meio Ambiente, Carlos Minc, e da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, não determina metas obrigatórias de redução de emissões de gases do efeito estufa. As medidas serão todas voluntárias, tanto para o governo quanto para o setor produtivo. O documento passará por consulta pública antes de ser enviado à sanção presidencial.

Segundo Minc, apesar de não definir metas, o plano “tem objetivos” setoriais. “Ter meta é fácil, difícil é convencer os setores, ter recursos. Em suma, a gente sempre pode fazer uma meta mais ousada, mas temos que compatibilizar o que a gente quer com cada setor. É como dizem \'tem que combinar com os russos\', com os setores que vão ter que adotar medidas para reduzir emissões”, justificou Minc.

Entre os mecanismos listados pelo plano para redução das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, principalmente do dióxido de carbono (CO2), estão programas de eficiência energética, estímulo à produção de energias renováveis, fortalecimento dos biocombustíveis e “ações agressivas” de reflorestamento.

Sem detalhar como, o plano estima que a Petrobras evitará a emissão de mais de 20 milhões de toneladas de CO2 até 2012. Outro avanço que o governo espera conseguir voluntariamente do setor produtivo é a substituição de carvão mineral por carvão vegetal – renovável, de madeira reflorestada – na indústria siderúrgica.

Entre as ações de eficiência energética, o plano lista programas governamentais que já existem, como o Programa Nacional de Energia Elétrica (Procel) e os incentivos para troca de geladeiras que ainda utilizam gás clorofluorcarbono (CFC).

Segundo a secretária de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente, Suzana Kahn, apesar de não serem novidades, as medidas deverão ganhar efetividade com o plano. “Não adiantava ter os programas, se não eram implementados. O plano vai criar a obrigação de tirar essas ações do papel”, argumentou.

Não há previsão do custo total de implantação das medidas previstas pelo plano. De acordo com o documento, os instrumentos econômicos serão detalhados na segunda versão. A previsão é que os recursos venham do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do recém-criado Fundo Amazônia e de aportes da iniciativa privada.

Fonte: Luana Lourenço, da Agência Brasil

Aumenta fome no leste da África, diz ONU

21 de setembro de 2008

Quase 17 milhões de pessoas na região conhecida como o chifre da África precisam urgentemente de alimentos e outros tipos de ajuda – quase o dobro do que no início do ano, segundo dados das Nações Unidas.

Etiópia
Etiópia sofre coma seca prolongada

A ONU afirmou que são necessários US$ 700 milhões em ajuda urgente para evitar que a região entre em situação total de fome.

O principal responsável por assuntos humanitários na ONU, John Holmes, disse que os estoques de alimentos estão criticamente baixos em algumas regiões da Etiópia, Somália, Eritréia, norte do Quênia e Uganda.

A região sofre com secas, conflitos e o aumento do preço dos alimentos.

O número de pessoas em risco pode aumentar ainda mais “se a seca piorar e a temporada de fome continuar”, disse Holmes.

“O que precisamos, essencialmente, são mais fundos, e mais fundos agora, caso contrário a situação vai se tornar ainda mais catastrófica do que já é.”

Estima-se que o total de fundos necessários para ajudar as populações em risco até o fim deste ano seja de US$ 1,4 bilhão. Quase metade desta quantia já foi levantada, disse Holmes, mas ainda faltam US$ 716 milhões.

Mas ele afirmou que este não é o fim, e que poderão ser necessários novos fundos num futuro próximo.

A Organização para Alimentos e Agricultura da ONU afirma que a alta mundial do preço dos alimentos contribuiu para o aumento da fome no mundo, aumentando em 75 milhões o número de pessoas com fome no ano passado, que chegou a 925 milhões.

O Ártico derrete

15 de setembro de 2008

E países abrem guerra para ficar com a maior reserva natural de petróleo que está debaixo dessas águas

COMPUTAÇÃO GRÁFICA SOBRE FOTO DE BELTRA/REUTERSSOBREVIVÊNCIA Ursos estão com a vida ameaçada pelo degelo e pela cobiça de cinco países

Por que o Ártico, região de mar e gelo, tornou-se fruto de cobiça de cinco países? Explica-se: sob os seus gigantescos icebergs há a maior reserva de petróleo e gás natural do mundo. O tesouro estava muito bem protegido pelo gélido clima que impedia a navegação e a exploração. Ocorre, porém, que esses obstáculos naturais estão derretendo e assim a área revelou- se fonte de enorme potencial de recursos naturais e caminho importante e estratégico de navegação. No final de maio, a Dinamarca foi a idealizadora de uma reunião, realizada na Groenlândia, na qual se encontraram representantes dos países que reclamam para si o Ártico (todos banhados por suas águas). “Que nenhuma nação ouse prejudicar a outra. A ONU decidirá quem tem direito a qual área do Pólo Norte”, declarou o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Per Sitg Moeller, tentando apaziguar os ânimos. E não é sem motivo que o tom da discussão, vez ou outra, se exalte. Ali estão dez bilhões de toneladas de petróleo e gás, ou seja, um quarto das reservas de todo o planeta. São 400 bilhões de barris – para efeito de comparação, as reservas da Arábia Saudita, atualmente o maior produtor mundial, são de 262 bilhões e as do Brasil, de 12 bilhões.

Mesmo com altíssimo custo de extração, as reservas do Ártico enchem os olhos da Dinamarca, dos EUA, da Noruega, da Rússia e do Canadá. Hoje, a exploração de petróleo e gás natural é considerada inviável justamente porque é cara demais. O custo de extração beira os US$ 60 por barril, enquanto nas reservas brasileiras, por exemplo, o preço é US$ 20. Com o degelo, a maior barreira de acesso às riquezas não existirá mais, viabilizando a navegação e barateando a extração.

A região mais disputada é a Cordilheira de Lomonossov, área submersa que vai da Groenlândia à Sibéria Oriental. A Rússia diz que essa porção é ligada a seu território por uma placa continental submersa e, por isso, tem direitos sobre ela. Para comprovar sua argumentação, enviou em agosto de 2007 dois minissubmarinos nucleares a 4,3 quilômetros de profundidade para reconhecer o solo. Viktor Posselov, subdiretor do Instituto de Pesquisa Científica de Oceanologia da Rússia, declarou: “Obtivemos material suficiente para demonstrar que a cordilheira submarina de Lomonossov está conectada à plataforma e é uma continuação da periferia continental da Rússia.” Coroando a missão, os russos fincaram uma bandeira de titânio no fundo do mar.

O Ártico é russo? A questão não é tão simples. Segundo a Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, assinada em 1982, os países da região podem estender seu território para até 370 quilômetros. Ocorre, no entanto, que essas fronteiras são delimitadas pelas placas continentais – ou seja, a corrida é para comprovar até onde vão as tais placas. A Rússia tomou a frente e depois da expedição já pode alegar que a cordilheira começa na sua placa continental. Mas Canadá e Dinamarca também reivindicam o território. O Canadá disputa com os EUA a estratégica Passagem Noroeste, uma rota marítima que liga a Europa à Ásia em um caminho aberto com o degelo e mais curto que a rota tradicional. Economicamente, as perspectivas são interessantes: o Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica dos EUA estima que em 2040 já não haverá mais gelo no verão Ártico. É bem possível, porém, que não seja preciso esperar tanto. O oceanógrafo espanhol Carlos Duarte afirma que em 2015 as muralhas de água congelada não mais existirão e, segundo ele, no verão de 2007 houve um degelo mais abrupto do que o que estava sendo observado: “Derreteram-se aproximadamente 20 quilômetros de gelo, e isso diariamente.” Alarmante? Para os cinco países banhados pelas águas do Ártico, acelerados na corrida pelo petróleo, não; para os ambientalistas, sim.

Fonte: Istoé Independente

 

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