por Sérgio Abranches, do Ecopolítica
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** Publicado originalmente no site Ecopolítica.
(Ecopolítica)
ATENÇÃO
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O fotógrafo grego Christos Lamprianis concorreu com mais de mil artistas e venceu o CoolClimate Art, concurso internacional de obras sobre o impacto das mudanças climáticas.
Lamprianis enviou uma imagem de uma menina sentada perto de uma usina termoelétrica na Grécia, que passa a ilusão de estar tapando a chaminé com a palma de sua mão.
Pintura da artista Emma Varney retrata
impacto provocado pela exploração de petróleo nos oceanos
Os vinte semifinalistas passaram por uma pré-seleção de um júri formado por artistas e ativistas, como o ecologista Philippe Cousteau, neto de Jacques Cousteau.
Os trabalhos foram divulgados no site The Huffington Post em uma galeria aberta e submetidos à votação popular, que escolheu os cinco primeiros colocados.
Os vencedores foram homenageados no Center for American Progress, em Washington DC. Seus trabalhos serão usados em diversas campanhas em defesa do meio ambiente.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
19/03 - 22:21 - Natasha Madov, iG São Paulo
É o que afirma o principal negociador para mudanças climáticas do país, Todd Stern, que está em passagem pelo Brasil para ratificar o acordo de cooperação bilateral assinado pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, no mês passado.
Todd Stern: a responsabilidade pelo aquecimento global precisa ser dividida
iG: Como o senhor avalia o resultado do encontro em Copenhagen, em dezembro passado?
Todd Stern: Foi uma reunião muito difícil, em vários aspectos, mas o resultado final foi bastante importante. Não foi o que todos queriam, mas, no nosso ponto de vista, teve resultados positivos. O acordo de Copenhagen foi negociado por um grupo extraordinário de chefes de Estado, e incluiu um número importante de metas. Foi a primeira vez que esses países tinham um objetivo claro, que era tentar segurar o aumento de temperatura em 2 graus centígrados, e todos estavam cientes da importância da tecnologia, das florestas e da transparência nas ações. É um acordo curto, incompleto, mas é um importante passo à frente.iG: A ONU (Organização das Nações Unidas) pediu recentemente que o trabalho do IPCC fosse revisado, após a descoberta de alguns erros. O que o senhor acha disso?
Todd Stern: Foi uma atitude inteligente da ONU, que ajuda a solidificar a confiança do público. Sim, existem erros, mas o fundamental não mudou. Existe uma quantidade gigante de provas que o planeta está ficando mais quente. São literalmente milhares de estudos, tanto do IPCC quanto de outras fontes, que apontam nesta direção. Só o trabalho do IPCC é imenso, vários volumes com milhares de páginas. A revisão vai ajudar com que se evite esses erros no futuro, mas no fundo nada mudou.iG: Os últimos acontecimentos têm ajudado os "céticos do clima", que acham que o aquecimento global não existe?
Todd Stern: Sabe, acredito que deve ter havido um pequeno aumento no número deles, mas não acho que seja significativo a longo prazo. Existem pessoas interessadas em se opor ao aquecimento global, mas os eventos são de tal ordem que as provas vão continuar aparecendo. Gostaria que não fosse assim, mas é o que acontece; todo mês, toda semana, todo dia surge algo novo que comprova os fatos, como o derretimento das geleiras.iG: O que a administração Barack Obama está fazendo para combater as mudanças climáticas?
Todd Stern: O presidente está extremamente focado nisso, estava ainda antes da sua posse. O pacote de estímulo à economia que ele aprovou no início do seu mandato previa um investimento de 80 bilhões de dólares em energias limpas. Em um ano normal, um investimento desse tipo seria da ordem de três ou quatro bilhões (de dólares).No ano passado a EPA (sigla em inglês de Agência de Proteção Ambiental dos EUA) estabeleceu padrões de economia de combustível para os veículos. Estamos nos esforçando para mudar a legislação, e nossa proposta está aguardando no Senado. Agora a EPA está estudando regulamentações para o setor elétrico. Isso no âmbito doméstico.
Internacionalmente, houve um compromisso imenso. O governo anterior não estava envolvido neste tema, e quando o presidente Obama assumiu foi estabelecido, praticamente desde o primeiro dia, o cargo de Enviado Especial, que nos colocou de volta ao plano das discussões multilaterais. Estamos procurando acordos bilaterais com vários países, inclusive o Brasil, com quem acabamos de fechar no mês passado um acordo de cooperação.
iG: Como é este acordo?
Todd Stern: Ele contempla muitas frentes. Uma é diplomática: aproximar o diálogo, discutir cooperativamente e trabalhar em conjunto em relação à direção das negociações sobre mudanças climáticas. Uma boa parte do foco vai ser em uso da terra, cuidados florestais, energia, biocombustíveis, eficiência energética, pesquisa científica. O acordo é bem vasto. Assinamos também acordos com a China e a Índia, e estruturamos o Fórum das Maiores Economias, que o presidente Bush iniciou, e colocamos um foco em emissões de carbono. O primeiro grande encontro foi ano passado, na Itália, mas as reuniões continuam.iG: Os EUA pretendem cooperar com o Brasil na pesquisa de biocombustíveis e energia renovável?
Todd Stern: O Brasil tem um trabalho impressionante nessa área, é o líder mundial e sim, esse é um dos campos em que gostaríamos de trabalhar em cooperação. Temos algumas coisas a aprender com o Brasil.iG: Como lidar com a questão das emissões da China?
Todd Stern: A China é um grande desafio. É um país que mostra para onde a diplomacia das mudanças climáticas tem que ir. Tradicionalmente, em acordos como o de Kyoto, os países desenvolvidos devem agir, e os em desenvolvimento não precisam se comprometer. Essa divisão não pode continuar se quisermos realmente resolver o problema, e a China é o melhor exemplo do porquê disso. É o maior emissor de gases-estufa do mundo, e está crescendo. E ela não está sozinha. Economias emergentes como o Brasil também desempenham um grande papel. Os países desenvolvidos têm sua responsabilidade histórica, mas todos têm que agir, e por isso encaro o acordo de Copenhagen como um avanço, pois todos concordaram em submeter suas propostas para reduzir as emissões e todos fizeram isso, até 31 de janeiro deste ano. Isso nunca tinha acontecido antes.iG: O senhor foi o negociador do Protocolo de Kyoto durante o governo Clinton, e está agora de volta como Enviado Especial de Mudanças Climáticas do governo Obama. O que mudou de lá para cá e por que os Estados Unidos não ratificaram ainda o Protocolo de Kyoto?
Todd Stern: Desde 1997, algumas coisas continuam as mesmas, mas muito mudou. A maior diferença é que agora os países em desenvolvimento são os maiores emissores de carbono. Nós sabemos que historicamente esse papel cabia ao Primeiro Mundo e temos que agir de acordo com isso. Mas nós vivemos pensando no futuro, e não no passado. O paradigma básico de Kyoto, que os países em desenvolvimento não tinham responsabilidade nas emissões, simplesmente não funciona mais, e muitos enxergam isso.Alguns países se agarram a Kyoto, mas cada vez mais os governos reconhecem essa mudança e que o mundo tem que descobrir um meio de mudar essa situação pela via diplomática.
A respeito dos Estados Unidos, nunca houve um apoio político real a um acordo cujas obrigações fossem todas aos países mais ricos. Havia muita oposição. E o tema não era ainda tão premente - havia oposição das indústrias, que não queriam aumentar seus custos, e de grupos conservadores. A opinião pública também não sentia a necessidade de ações urgentes. Estes problemas ainda não acabaram, mas a situação melhorou muito agora.
Os raios UV (ultravioleta) chegaram à condição extrema de radiação na manhã desta terça-feira em Brasília e em 14 capitais do país, segundo a Somar Meteorologia, marcando índice entre 11 e 14, numa escala cuja o máximo corresponde a 14. Para o período da tarde, mais capitais brasileiras podem alcançar marcação extrema, inclusive São Paulo.
Veja os índices ultravioleta registrados nas capitais do Brasil
Índice UV mede nível de radiação; saiba como se proteger
De acordo com o meteorologista Marcel Rocco, do Somar Meteorologia, a elevação do índice acontece devido a fatores como a estação do ano e a pouca nebulosidade, que causam a elevação do nível de raios solares que chegam à superfície da Terra. Além disso, ele aponta que essa é uma condição que se repetiu algumas vezes nas últimas semanas.
Para a médica Selma Cernea, coordenadora da Campanha de Prevenção ao Câncer de Pele, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, o alto índice registrado de raios UV aumenta o risco de danos à pele, que podem variar de uma vermelhidão até o aparecimento de manchas, envelhecimento e câncer de pele, se a exposição for feita por tempo prolongado, regularmente.
Os locais com índices mais elevados, às 10h, eram Brasília, Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Boa Vista, Fortaleza, João Pessoa, Macapá, Maceió, Natal, Palmas e Recife, com índice 14, seguidos por Rio de Janeiro e Vitória, com 13, e Porto Alegre, que tinham índice 11, considerado extremo.
De acordo com a escala, índices de 1 a 2 são considerados baixos; de três a cinco são apontados como moderados; seis e sete são altos; já entre oito e dez são considerados muito alto; enquanto os superiores a dez são apontados como extremos.
Na cidade de São Paulo, o índice era de 5 no horário, considerado moderado. Apesar disso, o Cptec (Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontava previsão de elevação do índice, podendo alcançar níveis extremos --de 11 a 14.
Para evitar problemas causados pelos raios ultravioletas as pessoas devem evitar exposição ao sol. Mas quando for necessário, devem usar protetor solar e roupas com cores claras, que refletem a radiação diminuindo o contato dela com a pele. Em casos de aparecimento de mancha na pele durante um tempo prolongado, a pessoa deve procurar um médico.
Um aumento de até 4 graus pode causar o desaparecimento da Amazônia
O aquecimento global no Brasil pode ter efeitos 20% maiores que a média global até o fim do século, com grandes impactos sobre os índices pluviométricos do país, de acordo com um novo estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), lançado durante a reunião das Nações Unidas sobre o clima, em Copenhague.
Em parceria com o Met Office Hadley Centre, da Grã-Bretanha, cientistas fizeram projeções dos efeitos dos gases que provocam o efeito estufa no país usando diferentes modelos.
As consequências econômicas para o país são potencialmente desastrosas, já que uma redução no regime de chuvas do Brasil teria efeitos diretos sobre a produção de energia elétrica – 70% da qual é gerada por hidrelétricas.
Além disso, as pesquisas do Inpe e do Hadley Centre alertam para os riscos do desmatamento que também colabora para deixar o clima mais quente e seco.
Chuva
Se mais de 40% da extensão original da floresta amazônica for desmatada, isto pode significar a diminuição drástica da chuva na Amazônia Oriental.
Segundo os pesquisadores, 40% de desmatamento ou um aquecimento global entre 3°C e 4°C representariam o ‘tipping point’, ou seja, o ponto a partir do qual parte da floresta corre o risco de começar a desaparecer.
Com apenas 2ºC a mais no termômetro, a bacia amazônica perderia 12% do volume de chuvas e a bacia do São Francisco, 15%.
Na bacia do Prata, por outro lado, os cientistas prevêem um aumento nos índices pluviométricos de 2%.
São Francisco
Nas previsões mais extremas, com um acréscimo de temperatura de 6,6%, as chuvas na Amazônia e na região do São Francisco poderiam cair 40% e 47%, respectivamente, literalmente transformando essas regiões.
Os pesquisadores ainda fizeram uma versão intermediária dos impactos do aquecimento, levando em conta um acréscimo de 5,3ºC. Nesta, a bacia do São Francisco perderia 37% das suas precipitações, enquanto a região amazônica teria 31% a menos de chuvas.
Mesmo a hipótese menos drástica, de um aquecimento de 2ºC, ameaçaria o futuro do rio São Francisco, que já terá o seu volume d’água bastante afetado pelas obras de transposição.
O modelo climático global do Hadley Centre é faz projeções de alterações do clima em todo o mundo.
Já o modelo climático regional do Inpe se concentra no Brasil e avalia o impacto de níveis diferentes de aquecimento global.
Desde a década de 80, o Inpe vem aplicando modelos climáticos globais como ferramenta para estudar os impactos do desmatamento na Amazônia sobre o clima.
A década passada foi a mais quente desde 1880
O ano de 2009 foi para o Hemisfério Sul o mais quente da história, segundo dados da agência espacial Nasa. Globalmente, o ano passado perdeu em temperatura apenas para 2005, considerado o ano mais quente desde que se tem registros do tipo no planeta.
Os dados da Nasa mostram que a temperatura no parte Sul do planeta foi, no ano passado, 0,4º C superior à temperatura mais antiga de que dispõem os cientistas. A partir dessa referência, em 2005 a temperatura global foi cerca de 0,7º C mais alta.
A agência informa ainda que a década passada (2000 a 2009) foi a mais quente desde 1880, quando foram desenvolvidos os primeiros equipamentos capazes de medir temperatura com precisão.
O diretor do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da Nasa (GISS, na sigla em inglês), James Hansen, explicou entretanto que o dado mais relevante é a tendência de alta nas temperaturas ao longo das décadas.
"Há uma substancial variação ano a ano da temperatura global que é causada pelo ciclo tropical El Niño-La Niña. Quando medimos a temperatura média ao longo de cinco ou dez anos para minimizar essa variação, descobrimos que o aquecimento global continua inabalável", disse.
Aquecimento global
Os dados apontam para uma clara tendência de aquecimento no planeta. Desde 1880, a temperatura subiu 0,8º C no mundo. Somente nas últimas três décadas, a alta foi de 0,2 graus.
Os cientistas do GISS acreditam que o aumento da temperatura global é causada pela presença de gases causadores do efeito estufa, como gás carbônico, na atmosfera terrestre.
De acordo com o artigo 12 da norma, o detalhamento das ações para alcançar as metas previstas se dará por meio de decreto, baseado no Inventário Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal, que será concluído neste ano de 2010.
Este mês o governo tem reunião marcada com acadêmicos e empresários da construção civil, mineração, do setor agropecuário, da indústria de bens de consumo, de serviços de saúde e transporte público para discutir medidas que devem ser adotadas. A discussão, somada aos resultados do Inventário, resultará no decreto que irá especificar a meta de cada setor da economia.
Em entrevista, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, observou que o Brasil tem até o dia 31 de janeiro para oficializar na ONU, a meta brasileira de redução de emissões.
No início de dezembro, o presidente Lula sancionou a lei que cria o Fundo Nacional sobre Mudanças Climáticas (Lei 12.014/09), que busca assegurar recursos para projetos e ações que contribuam para a mitigação da mudança do clima e adaptação a seus efeitos. O texto da lei determina que o fundo ficará vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e será administrado por um comitê formado por representantes do governo federal e da sociedade civil.
Os vetos
A lei de Mudanças Climáticas foi aprovada com três vetos. Um deles proíbe o contingenciamento de recursos com ações de enfrentamento das alterações climáticas. O veto se deu porque a lei não pode dispor sobre o contingenciamento de recursos orçamentários.
A pedido do Ministério de Minas e Energia foi vetado o item que trata do estímulo ao desenvolvimento e ao uso de tecnologias limpas e ao paulatino abandono do uso de fontes energéticas que utilizem combustíveis fósseis.
O terceiro veto recai sobre o artigo 10, que trata da substituição gradativa dos combustíveis fósseis e estabelece as formas como seria feita essa substituição. O veto também ocorreu a pedido do Ministério de Minas e Energia e entre os motivos apontados está o fato de o texto tratar apenas de usinas hidrelétricas de pequeno porte.
Leia a íntegra da lei
Lei 12.187/2009
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º Esta Lei institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC e estabelece seus princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos.
Art 2º Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por:
I - adaptação: iniciativas e medidas para reduzir a vulnerabilidade dos sistemas naturais e humanos frente aos efeitos atuais e esperados da mudança do clima;
II - efeitos adversos da mudança do clima: mudanças no meio físico ou biota resultantes da mudança do clima que tenham efeitos deletérios significativos sobre a composição, resiliência ou produtividade de ecossistemas naturais e manejados, sobre o funcionamento de sistemas socioeconômicos ou sobre a saúde e o bem-estar humanos;
III - emissões: liberação de gases de efeito estufa ou seus precursores na atmosfera numa área específica e num período determinado;
IV - fonte: processo ou atividade que libere na atmosfera gás de efeito estufa, aerossol ou precursor de gás de efeito estufa;
V - gases de efeito estufa: constituintes gasosos, naturais ou antrópicos, que, na atmosfera, absorvem e reemitem radiação infravermelha;
VI - impacto: os efeitos da mudança do clima nos sistemas humanos e naturais;
VII - mitigação: mudanças e substituições tecnológicas que reduzam o uso de recursos e as emissões por unidade de produção, bem como a implementação de medidas que reduzam as emissões de gases de efeito estufa e aumentem os sumidouros;
VIII - mudança do clima: mudança de clima que possa ser direta ou indiretamente atribuída à atividade humana que altere a composição da atmosfera mundial e que se some àquela provocada pela variabilidade climática natural observada ao longo de períodos comparáveis;
IX - sumidouro: processo, atividade ou mecanismo que remova da atmosfera gás de efeito estufa, aerossol ou precursor de gás de efeito estufa; e
X - vulnerabilidade: grau de suscetibilidade e incapacidade de um sistema, em função de sua sensibilidade, capacidade de adaptação, e do caráter, magnitude e taxa de mudança e variação do clima a que está exposto, de lidar com os efeitos adversos da mudança do clima, entre os quais a variabilidade climática e os eventos extremos.
Art. 3º A PNMC e as ações dela decorrentes, executadas sob a responsabilidade dos entes políticos e dos órgãos da administração pública, observarão os princípios da precaução, da prevenção, da participação cidadã, do desenvolvimento sustentável e o das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, este último no âmbito internacional, e, quanto às medidas a serem adotadas na sua execução, será considerado o seguinte:
I - todos têm o dever de atuar, em benefício das presentes e futuras gerações, para a redução dos impactos decorrentes das interferências antrópicas sobre o sistema climático;
II - serão tomadas medidas para prever, evitar ou minimizar as causas identificadas da mudança climática com origem antrópica no território nacional, sobre as quais haja razoável consenso por parte dos meios científicos e técnicos ocupados no estudo dos fenômenos envolvidos;
III - as medidas tomadas devem levar em consideração os diferentes contextos socioeconomicos de sua aplicação, distribuir os ônus e encargos decorrentes entre os setores econômicos e as populações e comunidades interessadas de modo equitativo e equilibrado e sopesar as responsabilidades individuais quanto à origem das fontes emissoras e dos efeitos ocasionados sobre o clima;
IV - o desenvolvimento sustentável é a condição para enfrentar as alterações climáticas e conciliar o atendimento às necessidades comuns e particulares das populações e comunidades que vivem no território nacional;
V - as ações de âmbito nacional para o enfrentamento das alterações climáticas, atuais, presentes e futuras, devem considerar e integrar as ações promovidas no âmbito estadual e municipal por entidades públicas e privadas;
VI – (VETADO)
Art. 4º A Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC visará:
I - à compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a proteção do sistema climático;
II - à redução das emissões antrópicas de gases de efeito estufa em relação às suas diferentes fontes;
III – (VETADO);
IV - ao fortalecimento das remoções antrópicas por sumidouros de gases de efeito estufa no território nacional;
V - à implementação de medidas para promover a adaptação à mudança do clima pelas 3 (três) esferas da Federação, com a participação e a colaboração dos agentes econômicos e sociais interessados ou beneficiários, em particular aqueles especialmente vulneráveis aos seus efeitos adversos;
VI - à preservação, à conservação e à recuperação dos recursos ambientais, com particular atenção aos grandes biomas naturais tidos como Patrimônio Nacional;
VII - à consolidação e à expansão das áreas legalmente protegidas e ao incentivo aos reflorestamentos e à recomposição da cobertura vegetal em áreas degradadas;
VIII - ao estímulo ao desenvolvimento do Mercado Brasileiro de Redução de Emissões - MBRE.
Parágrafo único. Os objetivos da Política Nacional sobre Mudança do Clima deverão estar em consonância com o desenvolvimento sustentável a fim de buscar o crescimento econômico, a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais.
Art. 5º São diretrizes da Política Nacional sobre Mudança do Clima:
I - os compromissos assumidos pelo Brasil na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, no Protocolo de Quioto e nos demais documentos sobre mudança do clima dos quais vier a ser signatário;
II - as ações de mitigação da mudança do clima em consonância com o desenvolvimento sustentável, que sejam, sempre que possível, mensuráveis para sua adequada quantificação e verificação a posteriori;
III - as medidas de adaptação para reduzir os efeitos adversos da mudança do clima e a vulnerabilidade dos sistemas ambiental, social e econômico;
IV - as estratégias integradas de mitigação e adaptação à mudança do clima nos âmbitos local, regional e nacional;
V - o estímulo e o apoio à participação dos governos federal, estadual, distrital e municipal, assim como do setor produtivo, do meio acadêmico e da sociedade civil organizada, no desenvolvimento e na execução de políticas, planos, programas e ações relacionados à mudança do clima;
VI - a promoção e o desenvolvimento de pesquisas científico-tecnológicas, e a difusão de tecnologias, processos e práticas orientados a:
a) mitigar a mudança do clima por meio da redução de emissões antrópicas por fontes e do fortalecimento das remoções antrópicas por sumidouros de gases de efeito estufa;
b) reduzir as incertezas nas projeções nacionais e regionais futuras da mudança do clima;
c) identificar vulnerabilidades e adotar medidas de adaptação adequadas;
VII - a utilização de instrumentos financeiros e econômicos para promover ações de mitigação e adaptação à mudança do clima, observado o disposto no art. 6o;
VIII - a identificação, e sua articulação com a Política prevista nesta Lei, de instrumentos de ação governamental já estabelecidos aptos a contribuir para proteger o sistema climático;
IX - o apoio e o fomento às atividades que efetivamente reduzam as emissões ou promovam as remoções por sumidouros de gases de efeito estufa;
X - a promoção da cooperação internacional no âmbito bilateral, regional e multilateral para o financiamento, a capacitação, o desenvolvimento, a transferência e a difusão de tecnologias e processos para a implementação de ações de mitigação e adaptação, incluindo a pesquisa científica, a observação sistemática e o intercâmbio de informações;
XI - o aperfeiçoamento da observação sistemática e precisa do clima e suas manifestações no território nacional e nas áreas oceânicas contíguas;
XII - a promoção da disseminação de informações, a educação, a capacitação e a conscientização pública sobre mudança do clima;
XIII - o estímulo e o apoio à manutenção e à promoção:
a) de práticas, atividades e tecnologias de baixas emissões de gases de efeito estufa;
b) de padrões sustentáveis de produção e consumo.
Art. 6º São instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima:
I - o Plano Nacional sobre Mudança do Clima;
II - o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima;
III - os Planos de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento nos biomas;
IV - a Comunicação Nacional do Brasil à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, de acordo com os critérios estabelecidos por essa Convenção e por suas Conferências das Partes;
V - as resoluções da Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima;
VI - as medidas fiscais e tributárias destinadas a estimular a redução das emissões e remoção de gases de efeito estufa, incluindo alíquotas diferenciadas, isenções, compensações e incentivos, a serem estabelecidos em lei específica;
VII - as linhas de crédito e financiamento específicas de agentes financeiros públicos e privados;
VIII - o desenvolvimento de linhas de pesquisa por agências de fomento;
IX - as dotações específicas para ações em mudança do clima no orçamento da União;
X - os mecanismos financeiros e econômicos referentes à mitigação da mudança do clima e à adaptação aos efeitos da mudança do clima que existam no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima e do Protocolo de Quioto;
XI - os mecanismos financeiros e econômicos, no âmbito nacional, referentes à mitigação e à adaptação à mudança do clima;
XII - as medidas existentes, ou a serem criadas, que estimulem o desenvolvimento de processos e tecnologias, que contribuam para a redução de emissões e remoções de gases de efeito estufa, bem como para a adaptação, dentre as quais o estabelecimento de critérios de preferência nas licitações e concorrências públicas, compreendidas aí as parcerias público-privadas e a autorização, permissão, outorga e concessão para exploração de serviços públicos e recursos naturais, para as propostas que propiciem maior economia de energia, água e outros recursos naturais e redução da emissão de gases de efeito estufa e de resíduos;
XIII - os registros, inventários, estimativas, avaliações e quaisquer outros estudos de emissões de gases de efeito estufa e de suas fontes, elaborados com base em informações e dados fornecidos por entidades públicas e privadas;
XIV - as medidas de divulgação, educação e conscientização;
XV - o monitoramento climático nacional;
XVI - os indicadores de sustentabilidade;
XVII - o estabelecimento de padrões ambientais e de metas, quantificáveis e verificáveis, para a redução de emissões antrópicas por fontes e para as remoções antrópicas por sumidouros de gases de efeito estufa;
XVIII - a avaliação de impactos ambientais sobre o microclima e o macroclima.
Art. 7º Os instrumentos institucionais para a atuação da Política Nacional de Mudança do Clima incluem:
I - o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima;
II - a Comissão Interministerial de Mudança Global do Clima;
III - o Fórum Brasileiro de Mudança do Clima;
IV - a Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais - Rede Clima;
V - a Comissão de Coordenação das Atividades de Meteorologia, Climatologia e Hidrologia.
Art. 8º As instituições financeiras oficiais disponibilizarão linhas de crédito e financiamento específicas para desenvolver ações e atividades que atendam aos objetivos desta Lei e voltadas para induzir a conduta dos agentes privados à observância e execução da PNMC, no âmbito de suas ações e responsabilidades sociais.
Art. 9º O Mercado Brasileiro de Redução de Emissões - MBRE será operacionalizado em bolsas de mercadorias e futuros, bolsas de valores e entidades de balcão organizado, autorizadas pela Comissão de Valores Mobiliários - CVM, onde se dará a negociação de títulos mobiliários representativos de emissões de gases de efeito estufa evitadas certificadas.
Art. 10. (VETADO)
Art. 11. Os princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos das políticas públicas e programas governamentais deverão compatibilizar-se com os princípios, objetivos, diretrizes e instrumentos desta Política Nacional sobre Mudança do Clima.
Parágrafo único. Decreto do Poder Executivo estabelecerá, em consonância com a Política Nacional sobre Mudança do Clima, os Planos setoriais de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas visando à consolidação de uma economia de baixo consumo de carbono, na geração e distribuição de energia elétrica, no transporte público urbano e nos sistemas modais de transporte interestadual de cargas e passageiros, na indústria de transformação e na de bens de consumo duráveis, nas indústrias químicas fina e de base, na indústria de papel e celulose, na mineração, na indústria da construção civil, nos serviços de saúde e na agropecuária, com vistas em atender metas gradativas de redução de emissões antrópicas quantificáveis e verificáveis, considerando as especificidades de cada setor, inclusive por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL e das Ações de Mitigação Nacionalmente Apropriadas - NAMAs.
Art. 12. Para alcançar os objetivos da PNMC, o País adotará, como compromisso nacional voluntário, ações de mitigação das emissões de gases de efeito estufa, com vistas em reduzir entre 36,1% (trinta e seis inteiros e um décimo por cento) e 38,9% (trinta e oito inteiros e nove décimos por cento) suas emissões projetadas até 2020.
Parágrafo único. A projeção das emissões para 2020 assim como o detalhamento das ações para alcançar o objetivo expresso no caput serão dispostos por decreto, tendo por base o segundo Inventário Brasileiro de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa não Controlados pelo Protocolo de Montreal, a ser concluído em 2010.
Art. 13. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 29 de dezembro de 2009; 188o da Independência e 121o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Nelson Machado
Edison Lobão
Paulo Bernardo Silva
Luís Inácio Lucena Adams
MENSAGEM Nº 1.123, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2009.
Senhor Presidente do Senado Federal,
Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público e inconstitucionalidade, o Projeto de Lei no 18, de 2007 (no 283/09 no Senado Federal), que “Institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima - PNMC e dá outras providências”.
Ouvidos, os Ministérios da Fazenda, do Planejamento, Orçamento e Gestão e a Advocacia-Geral da União manifestaram-se pelo veto ao seguinte dispositivo:
Inciso VI do art. 3º
“Art. 3º …………………………………………..
VI - o dispêndio público com as ações de enfrentamento das alterações climáticas não sofrerá contingenciamento de nenhuma espécie durante a execução orçamentária.”
Razões do veto
“O dispositivo carreia comando com mandamentos genéricos sobre finanças públicas, matéria afeta a Lei Complementar, conforme previsto no art. 163, I, da Constituição Federal. Ademais, o dispositivo contraria o princípio presente na Lei de Responsabilidade Fiscal de que as prioridades de cada exercício devam ser definidas por meio das leis de diretrizes orçamentárias.” Ouvido, também, o Ministério de Minas e Energia manifestou-se pelo veto aos seguintes dispositivos:
Inciso III do art. 4º
“Art. 4º …………………………………………..
III - ao estímulo ao desenvolvimento e ao uso de tecnologias limpas e ao paulatino abandono do uso de fontes energéticas que utilizem combustíveis fósseis;
…………………………………………………………………………”
Razões do veto
“A atual política energética do País já tem priorizado a utilização de fontes de energia renováveis em sua matriz e obtido avanços amplamente reconhecidos no uso de tecnologias limpas. Uma das balizas dessa política é o aproveitamento racional dos vários recursos energéticos disponíveis, o que torna inadequada uma diretriz focada no abandono do uso de combustíveis fósseis. A estratégia para o setor deve atender aos princípios e objetivos estabelecidos pela Lei 9.478, de 6 de agosto de 1997, que congrega a proteção ao meio ambiente a outros valores relevantes para a política e a segurança energéticas.”
Art. 10
“Art. 10. A substituição gradativa dos combustíveis fósseis, como instrumento de ação governamental no âmbito da PNMC, consiste no incentivo ao desenvolvimento de energias renováveis e no aumento progressivo de sua participação na matriz energética brasileira, em substituição aos combustíveis fósseis.
Parágrafo único. A substituição gradativa dos combustíveis fósseis será obtida mediante:
I - o aumento gradativo da participação da energia elétrica produzida por empreendimentos de Produtores Independentes Autônomos, concebidos com base nas fontes eólicas de geração de energia, nas pequenas centrais hidrelétricas e de biomassa, no Sistema Elétrico Interligado Nacional;
II - o incentivo à produção de biodiesel, preferencialmente a partir de unidades produtoras de agricultura familiar e de cooperativas ou associações de pequenos produtores, e ao seu uso progressivo em substituição ao óleo diesel derivado de petróleo, particularmente no setor de transportes;
III - o estímulo à produção de energia a partir das fontes solar, eólica, termal, da biomassa e da co-geração, e pelo aproveitamento do potencial hidráulico de sistemas isolados de pequeno porte;
IV - o incentivo à utilização da energia térmica solar em sistemas para aquecimento de água, para a redução do consumo doméstico de eletricidade e industrial, em especial nas localidades em que a produção desta advenha de usinas termelétricas movidas a combustíveis fósseis;
V - a promoção, por organismos públicos de Pesquisa e Desenvolvimento científico-tecnológico, de estudos e pesquisas científicas e de inovação tecnológica acerca das fontes renováveis de energia;
VI - a promoção da educação ambiental, formal e não formal, a respeito das vantagens e desvantagens e da crescente necessidade de utilização de fontes renováveis de energia em substituição aos combustíveis fósseis;
VII - o tratamento tributário diferenciado dos equipamentos destinados à geração de energia por fontes renováveis;
VIII - o incentivo à produção de etanol e ao aumento das porcentagens de seu uso na mistura da gasolina;
IX - o incentivo à produção de carvão vegetal a partir de florestas plantadas.”
Razões do veto
“O dispositivo pretende indicar as formas de substituição dos combustíveis fósseis na matriz energética brasileira. Essa indicação, entretanto, não está adequadamente concatenada com as necessidades energéticas do País, o que pode fragilizar a confiabilidade e a segurança do sistema energético nacional. Há que se destacar, por exemplo, que as diretrizes do dispositivo desconsideram a possibilidade de utilização de energia produzida a partir de centrais hidrelétricas, fonte que contribui sobremaneira para que a matriz energética brasileira esteja entre as mais limpas do mundo, além de constituir grande parte da geração de energia elétrica do País.
Assim, as diretrizes da PNMC e da Política Energética Nacional deverão ser harmonizadas de forma a proteger o meio ambiente e, ao mesmo tempo, garantir a segurança energética necessária para o desenvolvimento do País. Essas, Senhor Presidente, as razões que me levaram a vetar os dispositivos acima mencionados do projeto em causa, as quais ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional.
Por MAURÍCIO KANNO
colaboração para a Folha Online
Consultores do Banco Mundial relataram em periódico deste bimestre que substituir derivados animais na alimentação, como carnes e laticínios, por análogos vegetais, daria resultados mais rápidos contra o aquecimento global do que ações que trocam combustíveis fósseis por energia renovável.
Segundo estudo divulgado pela organização de pesquisa ambiental World Watch Institute, de Washington, a pecuária seria responsável por pelo menos 51% das emissões dos gases-estufa no mundo, ou 32,5 bilhões de toneladas.
| Rogério Cassimiro/Folha Imagem |
| Gado em rodovia no Pará; 51% do gás-estufa mundial é da pecuária, diz estudo |
Se abraçada pela comunidade internacional, a tese representa uma virada de mesa no debate sobre a mudança climática, geralmente focado na questão energética.
Os autores do estudo, Robert Goodland e Jeff Anhang, respectivamente consultor-chefe aposentado e especialista, ambos da área ambiental do Banco Mundial, avaliam que o percentual de 18% normalmente divulgado para medir o impacto da pecuária no aquecimento global está "extremamente subestimado".
Mesmo a pesquisa anterior que estimava os 18%, da Organização para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), já dizia que a pecuária possui mais impacto no clima do que o setor dos transportes.
A ecóloga Magda Lima, da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), responsável por relatórios sobre a agropecuária no Brasil, acredita que os valores são superestimados. Ela também reclama que "os estudos precisam levar mais em conta as emissões históricas", diz ela.
Já o biólogo Sérgio Greif acha razoável o estudo, e até mesmo afirma já ter visto estudos que apontavam percentuais maiores no mundo.
O Brasil apresentou no sábado passado (12), em Copenhague, estudo preliminar que responsabilizava, só a pecuária bovina, por ao menos 50% dos gases do efeito estufa no país.
| Arte/Folha Online | ||
Uma das fontes de gás-estufa da pecuária desconsiderada, segundo os autores, é a emissão de gás carbônico devido à própria respiração dos rebanhos. A FAO afirma que a respiração dos rebanhos "faz parte de um sistema cíclico biológico". E, pela reconversão do CO2 em compostos orgânicos, não está listada como uma fonte reconhecida de gás-estufa sob o Protocolo de Kyoto.
| SXC |
| A respiração dos animais é fator importante de emissão de gás-estufa por responsabilidade humana, dizem pesquisadores |
Mas os autores ressaltam que o gado é "invenção e conveniência humana". Com isso, "hoje, mais dezenas de bilhões de animais criados pelo ser humano estão exalando CO2 que nos tempos pré-industriais", enquanto a capacidade fotossintética da Terra declinou gravemente com a falta de cobertura vegetal, defendem.
Os autores indicam ainda que as terras também seriam melhor usadas caso nelas fosse produzida diretamente comida para os humanos ou biocombustíveis, que poderiam substituir outras fontes de energia.
Metano
A FAO também destaca como ponto negativo o metano emitido pela digestão dos rebanhos. Este gás tem um potencial de aquecimento da Terra maior que o gás carbônico, mas sua duração na atmosfera é bem mais reduzida.
Mas o estudo divulgado pelo World Watch Institute aponta que o potencial de efeito estufa do metano é quase triplicado ao se utilizar uma linha do tempo de 20 anos --o que seria mais apropriado, por seus efeitos, segundo eles-- ao invés de 100 anos, como fez a FAO.
Goodland e Anhang apontam também que há emissões da pecuária alocadas em outros setores. Um exemplo é a criação de peixes e a pesca destinada à alimentação dos rebanhos.
Citam também o desperdício de partes não aproveitáveis dos animais, como ossos e gorduras incinerados; a cadeia paralela de subprodutos como couro e pele; e o cuidado sanitário maior no embalamento dos produtos da pecuária.
Mas eles vão ainda mais longe, ao consumidor final: consideram que o tempo de cozimento de alimentos derivados de animais é maior e isso leva ao uso de mais fluorocarbonetos e energia; além das emissões de carbono por tratamento médico de zoonoses e doenças degenerativas humanas devido ao consumo de derivados animais.
Soluções
Os autores indicam que neste contexto, a melhor estratégia na luta climática seria substituir produtos derivados de animais por análogos vegetais. Segundo seu estudo, apenas mudar o modo de produção ou tipo de carnes ou laticínios não teria uma redução significativa de seu impacto.
A bióloga Adriana Conceição, com especialização no impacto da pecuária bovina no Brasil, estima que medidas como alterar a dieta dos animais poderiam reduzir no máximo cerca de 10% de seu impacto.
Ela considera pioneira esta recomendação vinda de uma organização como a World Watch: "Em geral recomenda-se trocar certas fontes de energia por outras melhores", conta ela, "mas normalmente não se fala em substituição de alimentos."
Magda Lima já aposta na concentração das criações de animais em espaços reduzidos e em alteração de dietas, mas ainda estima que essas técnicas possam reduzir no máximo entre 15% e 20% de suas emissões.
O estudo divulgado pela World Watch também aponta a dificuldade que existe há muitos anos em se desenvolver tecnologias "verdes" para energia.
Assim, eles recomendam um esforço direcionado ao setor industrial para a oferta de "produtos análogos a carnes e laticínios" processados, como soja e diversos tipos de legumes e grãos. Quando processados, ficariam similares aos originados da pecuária.
Para viabilizar este novo movimento de mercado um significativo investimento em publicidade seria necessário, pois os produtos são novos para a maior parte dos consumidores. Recursos poderiam vir de fundos específicos para iniciativas de menor impacto de carbono na economia. E as embalagens poderiam ser diferenciadas mostrando o impacto de carbono dos alimentos.
Casa pode servir como modelo para produção em larga escala.
Arquitetos da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, apresentaram nesta quarta-feira uma casa de carbono zero que pode vir a ser produzida em série no país em um futuro próximo.
A casa de quatro quartos, localizada nas proximidades da cidade de Staplehurst, utiliza uma técnica aplicada na construção de casas da época medieval e vista como mais eficiente na contenção de emissões de gases causadores do efeito estufas.
"O design é econômico, já que a casa é relativamente fácil de ser construída e, a partir do momento em que você sabe o que está fazendo, é rápido", afirmou o desenhista Michael Ramage, do Departamento de Arquitetura da Universidade de Cambridge.
Mais de um quarto (27%) das emissões de gases causadores do efeito estufa da Grã-Bretanha é gerado por residências, o que contribui de forma significativa para o aquecimento global.
Poucas casas são movidas unicamente por energia solar e muitos designs são muito caros, inviabilizando a produção em massa.
Projeto une técnica medieval com novas tecnologias.
O governo britânico quer que todas casas novas sejam livres de emissões de gases causadores do efeito estufa em 2016.
Leveza e resistência
A construção em forma de arco é basicamente uma câmara de 20 metros coberta com terra e plantas, que servem de camuflagem e ajudam a construção a se mesclar com o ambiente rural.
O projeto é uma adaptação de uma técnica medieval que utiliza tijolos finos para criar construções leves e duráveis.
Assim, a casa adquire resistência estrutural e, ao mesmo tempo, evita a utilização de materiais que consomem muita energia na sua produção, como concreto armado.
A estrutura também fornece uma grande quantidade de massa térmica, permitindo a casa a reter calor, absorver flutuações de temperatura e reduzir a necessidade de sistemas de aquecimento ou resfriamento.
Qualquer aquecimento adicional é provido pela combinação de sistemas fotovoltaico e térmico de aquecimento, que capta energia solar.
27% das emissões de gases na Grã-Bretanha vem de residências.
Além disso, um aquecedor de 11kW de biomassa foi instalado na casa para fornecer energia quando o sol tiver aparecido por alguns dias.
O isolamento térmico é feito com papel de jornal reciclado.
"A construção mostra como o design contemporâneo pode promover materiais locais e integrar novas tecnologias para produzir um prédio altamente auto-sustentável", afirmou o arquiteto responsável pelo projeto, Richard Hawkes, que será o primeiro ocupante da casa.
Valores aproximados baseados nas estatísticas conhecidas até o momento
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POR JAIME GESISKY
Estudo elaborado por 10 cientistas brasileiros revela que as emissões de gases estufa da pecuária bovina no período entre 2003 e 2008 para os biomas Amazônia e Cerrado variam entre pelo menos 813 milhões de toneladas de CO2-equivalente (CO2e) em 2008 (menor valor) e pelo menos 1,090 Gigatonelada de CO2e em 2003 (maior valor).
A equivalência leva em conta o potencial de aquecimento global dos gases de efeito estufa e calcula o quanto de CO2 seria emitido se todos os gases fossem esse gás.
A emissão total associada à pecuária da Amazônia varia entre 499 e 775 milhões de toneladas de CO2e, e do Cerrado, entre 229 e 231 milhões de toneladas de CO2e. No resto do país, as emissões do setor variam entre 84 e 87 milhões de toneladas de CO2e. Em termos gerais, os números representam praticamente a metade das emissões de gases de efeito estufa no Brasil.
O estudo foi realizado sob a coordenação de Mercedes Bustamante (UnB), Carlos Nobre (INPE) e Roberto Smeraldi (Amigos da Terra – Amazônia Brasileira) e com a participação de Alexandre de Siqueira Pinto (UnB), Ana Paula Dutra de Aguiar (INPE), Jean P.H. Ometto (INPE), Karla Longo (INPE), Laerte Guimarães Ferreira (UFG), Luís Gustavo Barioni (EMBRAPA), Peter May (Amigos da Terra – Amazônia Brasileira).
De acordo com o estudo –a ser lançado na Conferência do Clima em Copenhague no próximo dia 12–, a maior contribuição às emissões da pecuária se deve ao desmatamento para formação de novas pastagens na Amazônia, que atinge em média 3/4 do total do desmatamento neste bioma. No Cerrado, os pesquisadores detectaram que cerca de 56% do desmatamento no período resultaram também em implantação de novas pastagens.
Os pesquisadores analisaram as três fontes principais de emissão: desmatamento para formação de pastagem e queimadas subsequentes da vegetação derrubada; queimadas de pastagem e fermentação entérica do gado. O estudo, porém, não considera emissões de solos de pastagens degradadas, da produção da ração de grãos usada no confinamento, do transporte do gado e da carne, e das unidades industriais dos frigoríficos, o que torna os valores “conservadores”, dizem os cientistas.
Também não foi considerado o desmatamento para formação de pastagens em outros biomas além de Amazônia e Cerrado. Já nos casos das emissões das queimadas de pastagem e da fermentação entérica foram contabilizados dados para todo país.
As conclusões do estudo também apontam para o potencial de redução de emissões de gases estufa oferecido pela pecuária no Brasil. O fato de quase a metade das emissões totais brasileiras de gases de efeito estufa se concentrar em um único setor constitui a mais importante oportunidade de mitigação brasileira.
- A agropecuária está no centro das mudanças ambientais globais tanto por sua contribuição para as emissões como pelo fato de que uma das formas mais significativas de como a mudança climática global afetará a economia é através de seus efeitos na agricultura - avalia Mercedes Bustamante (UNB), coordenadora da pesquisa.
Para ela, a redução dos impactos ambientais com melhoria da provisão de serviços (positivos) e bens demandará a coordenação de políticas agrícolas e ambientais e o incentivo à geração de conhecimento e ao uso de tecnologias adequadas.
Governo e sociedade
O estudo oferece uma série de recomendações de políticas de mitigação que podem ser implementadas por gestores públicos e privados. A maioria dessas políticas oferece oportunidades para atingir benefícios sociais, econômicos e ambientais complementares e adicionais aos da mitigação da mudança climática.
- O Brasil deve caminhar para uma agricultura integrada ao ambiente tropical, científica e tecnológica, que, ao mesmo tempo em que aumenta sua eficiência, diminui seu impacto ambiental, inclusive quanto às emissões - sugere o climatologista Carlos Nobre (INPE), que também coordenou a pesquisa.
Segundo Nobre, as opções de mitigação decorrentes do setor são significativas e “não implicam o corte na produção atual” e ainda podem ser compatíveis com um aumento moderado da produção. As fontes da mitigação incluem a redução do desmatamento, a eliminação do fogo no manejo de pastagens, recuperação de pastagens e solos degradados, a regeneração da floresta secundária, a redução da fermentação entérica, integração lavoura-pecuária, entre outros.
O estudo lembra que um grande desafio para as políticas públicas relaciona-se à redução da expectativa de impunidade nas práticas de ocupação de terras da União, bem como nos crimes e nas infrações ambientais: a falta de implementação nas políticas de comando e controle nestas áreas desfavorece investimentos em recuperação de terras degradadas, reflorestamento associado à intensificação e criação de manejo sustentável de pastagens em longo-prazo nas unidades de produção existentes. Há uma relação clara entre essa impunidade, a especulação fundiária desenfreada e a degradação das florestas, especialmente na Amazônia, destaca a pesquisa.
Em nível internacional, torna-se claro que o estabelecimento de uma abordagem ampla, sustentável e de longo prazo do tipo REDD (Plus) – incluindo todas as formas de carbono florestal, desmatamento evitado, conservação dos estoques florestais e regeneração da vegetação nativa e de pastagens – poderia favorecer expressivamente a transição necessária para um setor pecuário de baixo carbono no Brasil (e em outros países).
Emissão por produto custa mais que produto em si
Conforme o estudo, a criação de capacidade industrial (grandes frigoríficos) deve ser vinculada a zoneamento adequado, com base em critérios territoriais e biofísicos, uma vez que ela foi o principal motor para a expansão descontrolada e sem precedentes da atividade pecuária, na parte central da década atual. Na opinião dos cientistas, esta é uma função crítica do governo, não apenas porque o zoneamento requer intervenção regulatória, mas também porque a maioria dos financiamentos para este segmento vem de bancos de desenvolvimento estatais.
Medidas para aumentar a organização e a transparência dentro da cadeia de comércio facilitariam a adoção de remuneração seletiva, essencial para estimular e premiar os investimentos por parte dos criadores. Além disso, o papel do varejo é fundamental, pois é o segmento onde a maior parte do valor é agregado. Por isso, a adoção de políticas mais sustentáveis de compra e fornecimento pode ter impacto significativo sobre a cadeia produtiva.
No entanto, o estudo considera que é importante que as políticas de fornecimento sejam baseadas em critérios transparentes e que contemplem devidamente o objetivo de melhorar o balanço de GEE dos produtos, em vez de meros critérios negativos de exclusão, como simples listas negras. Além disso, políticas de fornecimento deveriam ser apoiadas por efetiva rastreabilidade, assim como por sistemas de verificação ou certificação independente por terceiros.
- Com base no estudo, constatamos que o custo das emissões de carbono por unidade de produto supera o próprio custo do produto no atacado - avalia Roberto Smeraldi, da ONG Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, co-autor do estudo.
Segundo Smeraldi, a sustentabilidade econômica da indústria da carne requer drástica queda em carbono-intensividade, e as recomendações do estudo mostram que isso seria perfeitamente possível.
♦ Jaime Gesisky é jornalista
Introdução: Como membro do G-20 e parte dos BRIC, o Brasil é o país da região com papel mais importante nas negociações –. O México também tem um papel importante. A maioria dos países latino-americanos pertence ao grupo de negociação G-77 + China (que é na verdade uma coalizão de 132 países em desenvolvimento). O G-77 pede de 25 a 40% de cortes obrigatórios até 2020 nas emissões de países industrializados, em relação aos níveis de 1990. Além disso, os países do grupo defendem uma grande transferência de fundos (1,5 a 2% do PIB dos países ocidentais) para adaptação. Entretanto, há muitas diferenças nas posições dos governos da região. Uma das principais divergências é a existente entre os países de governos de esquerda que pertencem à Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), que inclui a Venezuela e seus aliados (apesar de eles não negociarem formalmente como integrantes do grupo). Esses países dizem não estar preparados para considerar cortes nas suas próprias emissões. Por outro lado, Brasil, México, Costa Rica e Peru disseram estar prontos para fazer seus próprios cortes. Colômbia e Panamá se dizem preparados para considerar o assunto.
Argentina: Membro do G-77, o país é crítico em relação à relutância dos países industrializados em aceitar cortes profundos nas emissões. A Argentina não é tão veemente na defesa de assuntos relativos à mudança climática quanto os outros países da América Latina que integram o G-20 (Brasil e México), apesar de ser amplamente vista como defensor de transferência de tecnologia a países em desenvolvimento. O governo não anunciou que medidas a Argentina adotará internamente para se adaptar, ou mitigar, aos efeitos do aquecimento global.
Vulnerabilidade: Modelos climáticos sugerem que o índice pluviométrico tende a aumentar em algumas regiões do país, e diminuir em outras. Um aumento pode causar enchentes no nordeste e no centro do país, incluindo Buenos Aires, assim como ao longo do Rio Paraná. Áreas costeiras ao redor do estuário do Rio da Prata seriam afetadas pelo aumento do nível da água. Geleiras estão reduzindo seu volume num ritmo acelerado. De acordo com um estudo de 2006, a produção hidrelétrica da área de Comahue, ao sul, responsável por cerca de um quarto da energia hidrelétrica do país, sofreria uma redução de cerca de um terço até 2020, devido à redução do nível dos rios.
Bolívia: O país é membro da Alba – que põe forte ênfase na responsabilidade histórica dos países industrializados pelo aquecimento global. A Bolívia rejeita qualquer corte nas emissões de países em desenvolvimento, se opõe a soluções do setor privado para o desmatamento e defende grandes quantias em contribuição de governos ocidentais para programas de adaptação. O país apoia a criação de um Tribunal Internacional do Clima, para fazer com que “países industrializados paguem sua dívida climática”. O presidente Evo Morales é um forte defensor da experiência dos povos indígenas de viver em harmonia com a natureza. A Bolívia tem um forte grupo de lobby civil na área de clima, conhecido como Plataforma.
Vulnerabilidade: A Bolívia abriga cerca de 20% das geleiras tropicais do mundo. Cidades como La Paz e El Alto são particularmente vulneráveis à aceleração da redução das geleiras, uma vez que grande parte da água potável do país vem das geleiras dos Andes. Cerca de 40% da energia do país vêm de hidrelétricas. Milhares de agricultores pobres dependem do degelo como parte de seu suprimento de água para irrigação; mudanças climáticas drásticas poderiam causar secas e enchentes em diferentes partes do país.
Brasil: Integrante muito influente do G-77, o Brasil vem adotando historicamente uma posição, ao lado da China e da Índia, de afirmar que os países desenvolvidos deveriam fazer grandes cortes em suas emissões em primeiro lugar. No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Brasil estaria disposto a cortar suas próprias emissões de 36,1% e 38,9% em relação aos índices previstos para 2020. Ele afirma que uma grande parte desses cortes viria da redução do desmatamento em 80% até 2020, e de preferir carvão vegetal em detrimento do carvão mineral. O Brasil também continuaria a depender muito de biocombustíveis como etanol. O Brasil tem um papel importante nas negociações sobre o acordo de Redução de Emissões, Desmatamento e Degradação (REDD, na sigla em inglês), e defende o uso de dinheiro público em vez do privado em mercados de carbono. A Noruega prometeu doar US$ 1 bilhão ao longo de sete anos, sob a condição de que o desmatamento seja reduzido a cada ano.
Vulnerabilidade: O modelo criado pelo Hadley Centre, o centro de pesquisas climáticas do instituto de meteorologia britânico, prevê que um aumento de 2ºC na temperatura global resultaria em uma perda de 20 a 40% da floresta amazônica ao longo do próximo século, enquanto um aumento de 4ºC destruiria 85%. A maior parte do leste da Amazônia poderia ser substituída por savana. Uma degradação severa da Amazônia poderia provocar um menor índice pluviométrico, levando a mais secas e a menos regeneração florestal. Em uma escala global, os trópicos são a principal base do sistema climático global, e a destruição de grandes partes da Amazônia poderia mudar substancialmente esses sistemas.
Países caribenhos: Eles negociam como integrantes da Aliança de Pequenos Países Insulares (Aosis, na sigla em inglês), que tem 42 membros. A Aosis exige profundos cortes nas emissões de países industrializados para tentar garantir que as temperaturas globais não excedam 1,5ºC. Eles querem que as emissões globais atinjam seu pico em 2015 e caiam 85% até 2050 em relação aos níveis de 1990; os países querem ainda que ao menos 1% do PIB dos países ricos seja gasto na reparação de “danos infligidos ao clima”. A Guiana ofereceu proteger sua floresta em troca de dinheiro internacional. Em novembro, o governo anunciou um acordo pelo qual a Noruega dará US$ 250 milhões até 2015 para ajudar a evitar desmatamento.
Vulnerabilidade: De acordo com o Banco Mundial, Bahamas, Suriname, Guiana, Belize e Jamaica são os países mais vulneráveis a um aumento de um metro no nível dos mares. Na Guiana, por exemplo, cerca de 90% da população vivem na costa, que está 1,4 metros abaixo do nível do mar. Para muitos países caribenhos, a combinação da elevação no nível do mar, aumento da intensidade de furacões devido ao aquecimento da temperatura marinha, e até de pequenos aumentos no nível dos oceanos, causaria problemas imediatos. A destruição de corais é uma das muitas ameaças à indústria de turismo da região.
América Central: El Salvador, Honduras e Nicarágua tendem a se alinhar com a posição da Alba nas negociações. O Panamá apoia a possibilidade de reduzir suas emissões, assim como é a favor de soluções de livre mercado em relação ao desmatamento. A Guatemala tende a seguir as posições da Alba.
Vulnerabilidade: De acordo com o Banco Mundial, as perdas econômicas decorrentes de danos causados pelo aumento da intensidade ou da frequência de furacões na região pode triplicar ou quadruplicar nos próximos 15 anos. Os corais e manguezais da área também correm grande risco devido ao aquecimento dos oceanos. Partes baixas de El Salvador e áreas da costa do Pacífico na Costa Rica são vulneráveis ao aumento do nível do mar, enquanto Guatemala e Honduras correm risco particularmente maior de sofrer com catástrofes climáticas. O modelo do Hadley Centre prevê quedas significativas no índice pluviométrico da América Central ao longo das próximas décadas.
Chile: Em dezembro de 2008 o Chile lançou um plano nacional de adaptação que inclui um compromisso de reduzir suas emissões de carbono. No entanto, ao contrário do México, o país não estabeleceu metas ou datas. O Chile pode ser pressionado a estabelecer alvos de redução devido à sua intenção de tornar-se membro da Ocde. Mas isso seria difícil, em parte devido ao aumento de seu investimento em novas usinas elétricas a base de carvão, e a pesadas emissões vindas do setor de transporte. Alguns dos exportadores chilenos também estão preocupados com o fato de seus produtos (particularmente frutas e vinho) enfrentarem barreiras de pegadas de carbono.
Vulnerabilidade: Devido a sua geografia peculiar, o Chile tem mais opções de adaptar-se a mudanças climáticas do que outros países latino-americanos. Entretanto, a agricultura (particularmente a produção de vinhos), produtos florestais e energia hidrelétrica são vulneráveis a altas temperaturas e às interrupções no fornecimento de água. Mais de metade do fornecimento de energia para a parte central do Chile vem de energia hidrelétrica, gerada pela água de três bacias hidrográficas, que deverão sofrer redução na precipitação de chuvas.
Colômbia: Membro do G-77 + China. Em março de 2009 se aliou ao grupo de países insulares menores que exigem redução de 45% das emissões dos países ricos até 2020, indo portanto além dos 25-40% que é normalmente o nível de redução pedido pelo G-77. Acredita que o desmatamento deve ser resolvido com soluções que incluam o mercado privado. O país quer se beneficiar dos chamados MDL (Mecanismos de Desenvolvimento Limpo).
Vulnerabilidade: elevação do nível do mar afetando a região do Caribe e a costa do Pacífico, derretimento de geleiras, degradação das regiões alagadas dos altiplanos (paramos), e um aumento da ocorrência de desastres e eventos meteorológicos extremos ligados ao ciclo do El Niño/La Niña.
Costa Rica: País exemplar no que diz respeito à adoção de políticas ambientais. Faz parte de um pequeno grupo de países (juntamente com Suécia, Noruega, Islândia, Ilhas Maldivas, Mônaco e Nova Zelândia) que querem neutralizar o nível de emissões até 2021 (no caso da Costa Rica). Em 2007, foram plantadas 5 milhões de árvores em território costa-riquenho. O maior desafio do país será reduzir as emissões no setor de transporte. Para a Costa Rica, países em desenvolvimento como Brasil, Índia e China também deveriam apresentar planos de redução. Como membro ativo da Coalizão das Nações com Florestas Tropicais, o país está empenhado em conseguir mais verba internacional para combater o desmatamento, priorizando projetos que apresentem soluções que envolvam o setor privado. A Costa Rica implementou o projeto pioneiro do sistema de pagamentos para incentivar a preservação ambiental (água, captura de carbono, conservação de biodiversidade e restauração da beleza bucólica). Segundo esse sistema os donos de terra recebem dinheiro do governo para financiar os custos de preservação.
Vulnerabilidade: O país é especialmente sensível às mudanças climáticas por possuir uma rica biosfera tropical, contendo cerca de 5% de todas as espécies de plantas e animais do planeta, apesar do seu pequeno território. Frequentemente citado como a primeira “vítima” do aquecimento global, o sapo dourado, que vivia nas florestas da Costa Rica, se tornou extinto no final da década de 80 em consequência da mudança do regime de nuvens.
Cuba: Está alinhada com a Alba. O país é a favor do estabelecimento de metas de redução sérias e ambiciosas a serem cumpridas pelos países em desenvolvimento, mas é contra a adoção de soluções que envolvam o livre mercado. O governo cubano também quer que os países ricos participem com uma grande parcela do total necessário ao financiamento de projetos globais de preservação ambiental e de transferência de tecnologia para países pobres e vulneráveis que não possuem a especialização técnica e capacidade de pesquisa de Cuba. O Ministério da Ciência e Meio Ambiente de Cuba argumenta que a importância do REDD é superestimada, pois acredita que é mais importante reduzir o nível de emissões dos países ricos.
Vulnerabilidade: O país é exposto aos furacões que a cada ano são mais frequentes e intensos, bem como à elevação do nível dos oceanos, à salinização das terras aráveis, ao aumento do custo dos alimentos e à possíveis mudanças no regime de chuvas que podem causar secas. O setor de turismo, crucial para a economia do país, pode vir a ser afetado negativamente caso os verões europeus sejam mais quentes, o número de furacões aumente e o litoral cubano (incluindo a capital Havana) seja ameaçado pela elevação do nível do mar.
Equador: País membro da Alba (vide Bolívia acima), seu principal projeto, o Yasuní-ITT, propõe que a comunidade internacional (principalmente os países europeus) pague ao Equador para que o país não desenvolva projetos de exploração na Reserva Yasuní, uma área na floresta amazônica que concentra cerca de 20% das reservas de petróleo equatorianas. Segundo a proposta, seriam emitidos os chamados bonds de carbono num valor de até US$ 5 bilhões, equivalentes às emissões de carbono que seriam evitadas pela não utilização do petróleo e pela preservação da floresta tropical. O dinheiro obtido com a venda desses papeis seria depositado num fundo e os portadores dos títulos poderiam opinar sobre as formas de aplicação da verba em projetos de preservação florestal e de geração de energia alternativa. A Alemanha concordou em participar com US$400,000.
Vulnerabilidade: Redução do volume de água disponível (com o derretimento de geleiras, alteração do regime de chuvas nos altiplanos alagados) poderá afetar o nível dos reservatórios de água potável da capital Quito e de outras cidades, bem como, a produção do setor hidrelétrico (responsável pela geração de mais da metade da energia consumida no país). As geleiras Antisana e Cotopaxi, que fornecem 75% da água de Quito, estão sob grande risco por conta do degelo. A região costeira em torno de Guayaquil está exposta à elevação do nível do mar.
México: O país estabeleceu voluntariamente metas de redução de emissão de gases causadores do efeito estufa, se comprometendo a cortar 50% até 2050 em relação aos níveis de 2002. É um dos maiores defensores da criação de um “Fundo Verde”, que receberia verba de todos os países com exceção dos países pobres, para o financiamento de projetos ambientais. O governo mexicano planeja para 2012 a adoção de um sistema de cortes de emissões - possivelmente ligado a um sistema americano existente – principalmente dos setores cementeiro e de refino de petróleo. Pela afiliação à Ocde e ao G-20 (o país não faz parte do G-77), o México tem capacidade de influenciar importantes negociações, entretanto, muitas vezes o país é visto nestes fóruns como um satélite dos Estados Unidos.
Vulnerabildade: Metade da costa leste do país, principalmente a costo do golfo, é vulnerável a uma eventual elevação do nível dos oceanos e a aumentos da frequência e intensidade dos furacões. Espera-se que a diminuição do nível de chuvas com o aumento da seca afete a agricultura de algumas regiões. As florestas tropicais existentes nas regiões sul e central do país poderão vir a ser substituídas por savanas. A Comissão Econômica da ONU para a América Latina e Caribe (Cepal) estima que o México pode ter uma redução de 6 a 30% do Produto Interno Bruto por conta do impacto das mudanças climáticas.Clique
Paraguai: Os críticos afirmam que o governo do presidente Fernando Lugo não está levando a sério a necessidade de adoção de medidas que visem reduzir o impacto das mudanças climáticas.
Vulnerabilidade: País especialmente sob risco por conta da dependência econômica da exportação de produtos agrícolas e da eletricidade de Itaipu. O aumento da demanda por soja tem acelerado o desmatamento que por sua vez causa mais desertificação. A região do Chaco poderá enfrentar períodos de intensa seca.
Peru: O presidente Alan García anunciou no fim de 2008 um plano que prevê desmatamento zero nos próximos 10 anos, como sendo a contribuição do país para a redução das emissões de gases causadores do efeito estufa. Segundo o plano, será preciso que a comunidade internacional invista cerca de US$ 20 milhões por ano, enquanto o governo peruano estaria pronto para entrar com US$ 5 milhões. O Peru tem a quarta maior área de floresta tropical do mundo, atrás apenas do Brasil, Indonésia e Congo. Estima-se que o desmatamento responde por metade das emissões totais de carbono do país. Os grupos indígenas são contra soluções que envolvam o mercado privado.
Vulnerabilidade: Segundo o Banco Mundial, as geleiras peruanas recuaram 22 porcento nos últimos 35 anos, causando uma diminuição de 12% no abastecimento de água das áreas costeiras, onde vivem cerca de 60% da população. A capital Lima é uma das cidades com maior problema de abastecimento de água do mundo. O país também possui uma enorme diversidade de espécies amazônicas que são extremamente vulneráveis à perda de seu habitat natural.
Uruguai: O país vem defendendo que o Fundo de Adaptação - que permitirá que os países em desenvolvimento possam combater os efeitos das mudanças climáticas - tenha um volume maior de recursos e uma atuação mais eficaz. No final de outubro, o governo anunciou que vai adotar, voluntariamente, um conjunto de medidas, que incluem a modificação de sua matriz geradora de energia. O plano pretende aumentar de 6 para 15% a geração de energia a partir de fontes renováveis, a partir de 2015.
Vulnerabilidade: Residências privadas assim como empreendimentos do setor de turismo do estuário do Rio da Prata poderão ser afetados pelo aumento do nível das águas. 70% da população do país vivem na região costeira. A agricultura do país também é vulnerável às mudanças climáticas.
Venezuela: Como membro da Alba, o governo Chávez tem culpado o capitalismo ocidental pelo aquecimento global. O país também é membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), grupo que se opõe ao desenvolvimernto de projetos de baixas emissões de carbono. Em 2007, a Venezuela registrou o maior índice per capita de emissões por consumo de energia entre os países da América Latina (segundo o Energy Information Administration, dos EUA). Chávez anunciou a ‘Revolução da Energia’, plano que pretende substituir 50 milhões de lâmpadas convencionais por outras que economizem energia; o plantio de milhões de árvores nos próximos 5 anos; e o projeto Gasoduto do Sul, que irá levar combustível limpo a grande parte da região.
Vulnerabilidade: Os manguezais das regiões costeiras são especialmente vulneráveis à elevação do nível do mar; mudanças no regime de chuvas podem afetar o fornecimento de energia elétrica. As cidades podem vir a sofrer as consequências de inundações como as de 1999, que mataram cerca de 30,000 pessoas.
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