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São Paulo terá primeira frota de ônibus movida a etanol

25 de novembro de 2010

São Paulo vai implementar a primeira frota do País com ônibus movidos a etanol aditivado na tentativa de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e cumprir a meta de chegar a 2018 com toda a frota de transporte público movida a combustíveis renováveis. O protocolo de intenção assinado nesta quinta-feira prevê que o município terá 50 veículos adaptados para rodar com este combustível, a partir de maio de 2011.

Estocolmo (Suécia) - Estocolmo conta hoje com uma frota de 400 ônibus movidos a etanol. Foto: Ricardo

O convênio foi firmado entre a prefeitura, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a fabricante de ônibus Scania, a fornecedora de etanol Cosan e a operadora Viação Metropolitana.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, não informou o quanto será necessário investir para implementar o programa. Disse apenas que parte dos recursos para custear a adaptação dos ônibus virá das multas aplicadas aos veículos que foram reprovados na inspeção veicular. "O recurso virá de um programa ambiental para outro programa ambiental", afirmou, e acrescentou que a iniciativa corrige falha grave na cidade que, apesar da grande frota movida a etanol, ainda não usa o combustível no transporte público.

A prefeitura e as empresas também não se manifestaram sobre o custo de implantação do projeto. O presidente da Unica, Marcos Jank, apenas ponderou que o compromisso firmado com a prefeitura prevê que o preço do etanol usado nestas 50 unidades não deve superar o do diesel.

Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP) indica que o preço médio do diesel no mês de novembro em São Paulo é de R$ 1,99 por litro.

A prefeitura espera que 100% da frota de transporte público utilize combustíveis renováveis até 2018, de acordo com meta prevista em lei. "Mas nossa expectativa é que a maior parte destes veículos seja movida a etanol", disse Jank, acrescentando que a frota municipal de transporte público tem 15 mil ônibus.

Segundo o presidente da Unica, a medida representa o pontapé inicial da lei municipal de mudança do clima, pois este combustível permite reduzir em até 70% as emissões de gases responsáveis pelo efeito estufa, em relação ao diesel. Ele explicou que se tratam de veículos com motores a diesel que são adaptados para rodar com a mistura de etanol e aditivo.

A Cosan, maior grupo de açúcar e etanol do Brasil, ficará responsável pelo fornecimento e distribuição do combustível. "Nosso objetivo é viabilizar o projeto da prefeitura", disse Mark Lyra, diretor de novos negócios da companhia, sem especificar o custo da operação. Ele estima que os 50 veículos consumirão mensalmente cerca de 300 mil litros do combustível, que será composto por 95% de etanol e 5% do aditivo promovedor de ignição, atualmente importado, mas que, segundo ele, no futuro será produzido no País.

A Scania vai fabricar os ônibus em São Bernardo do Campo, em São Paulo. A empresa já fornece veículos deste tipo para a Suécia, que conta com frota movida a etanol desde a década de 90. A capital sueca tem hoje mais de 700 ônibus que rodam com este combustível e é o maior importador europeu do biocombustível brasileiro, segundo dados da Unica.

"Temos o que aprender com o Brasil"

20 de março de 2010

Afirma enviado dos EUA para Mudanças Climáticas

19/03 - 22:21 - Natasha Madov, iG São Paulo

Os Estados Unidos pretendem aprender com o Brasil como usar melhor fontes renováveis de energia e biocombustíveis, acreditam que a China representa um grande desafio diplomático na questão do aquecimento global e encaram o Acordo de Copenhagen como um relativo sucesso.

É o que afirma o principal negociador para mudanças climáticas do país, Todd Stern, que está em passagem pelo Brasil para ratificar o acordo de cooperação bilateral assinado pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, no mês passado.

Todd Stern

Todd Stern: a responsabilidade pelo aquecimento global precisa ser dividida

Em entrevista ao iG, ele avaliou o atual estado das negociações climáticas com os países em desenvolvimento, o trabalho do IPCC (sigla em inglês de Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas) e os esforços do presidente Barack Obama, bem como o ceticismo em torno do tema.

iG: Como o senhor avalia o resultado do encontro em Copenhagen, em dezembro passado?

Todd Stern: Foi uma reunião muito difícil, em vários aspectos, mas o resultado final foi bastante importante. Não foi o que todos queriam, mas, no nosso ponto de vista, teve resultados positivos. O acordo de Copenhagen foi negociado por um grupo extraordinário de chefes de Estado, e incluiu um número importante de metas. Foi a primeira vez que esses países tinham um objetivo claro, que era tentar segurar o aumento de temperatura em 2 graus centígrados, e todos estavam cientes da importância da tecnologia, das florestas e da transparência nas ações. É um acordo curto, incompleto, mas é um importante passo à frente.


iG: A ONU (Organização das Nações Unidas) pediu recentemente que o trabalho do IPCC fosse revisado, após a descoberta de alguns erros. O que o senhor acha disso?

Todd Stern: Foi uma atitude inteligente da ONU, que ajuda a solidificar a confiança do público. Sim, existem erros, mas o fundamental não mudou. Existe uma quantidade gigante de provas que o planeta está ficando mais quente. São literalmente milhares de estudos, tanto do IPCC quanto de outras fontes, que apontam nesta direção. Só o trabalho do IPCC é imenso, vários volumes com milhares de páginas. A revisão vai ajudar com que se evite esses erros no futuro, mas no fundo nada mudou.

iG: Os últimos acontecimentos têm ajudado os "céticos do clima", que acham que o aquecimento global não existe?

Todd Stern: Sabe, acredito que deve ter havido um pequeno aumento no número deles, mas não acho que seja significativo a longo prazo. Existem pessoas interessadas em se opor ao aquecimento global, mas os eventos são de tal ordem que as provas vão continuar aparecendo. Gostaria que não fosse assim, mas é o que acontece; todo mês, toda semana, todo dia surge algo novo que comprova os fatos, como o derretimento das geleiras.

iG: O que a administração Barack Obama está fazendo para combater as mudanças climáticas?

Todd Stern: O presidente está extremamente focado nisso, estava ainda antes da sua posse. O pacote de estímulo à economia que ele aprovou no início do seu mandato previa um investimento de 80 bilhões de dólares em energias limpas. Em um ano normal, um investimento desse tipo seria da ordem de três ou quatro bilhões (de dólares).

No ano passado a EPA (sigla em inglês de Agência de Proteção Ambiental dos EUA) estabeleceu padrões de economia de combustível para os veículos. Estamos nos esforçando para mudar a legislação, e nossa proposta está aguardando no Senado. Agora a EPA está estudando regulamentações para o setor elétrico. Isso no âmbito doméstico.

Internacionalmente, houve um compromisso imenso. O governo anterior não estava envolvido neste tema, e quando o presidente Obama assumiu foi estabelecido, praticamente desde o primeiro dia, o cargo de Enviado Especial, que nos colocou de volta ao plano das discussões multilaterais. Estamos procurando acordos bilaterais com vários países, inclusive o Brasil, com quem acabamos de fechar no mês passado um acordo de cooperação.


iG: Como é este acordo?

Todd Stern: Ele contempla muitas frentes. Uma é diplomática: aproximar o diálogo, discutir cooperativamente e trabalhar em conjunto em relação à direção das negociações sobre mudanças climáticas. Uma boa parte do foco vai ser em uso da terra, cuidados florestais, energia, biocombustíveis, eficiência energética, pesquisa científica. O acordo é bem vasto. Assinamos também acordos com a China e a Índia, e estruturamos o Fórum das Maiores Economias, que o presidente Bush iniciou, e colocamos um foco em emissões de carbono. O primeiro grande encontro foi ano passado, na Itália, mas as reuniões continuam.

iG: Os EUA pretendem cooperar com o Brasil na pesquisa de biocombustíveis e energia renovável?

Todd Stern: O Brasil tem um trabalho impressionante nessa área, é o líder mundial e sim, esse é um dos campos em que gostaríamos de trabalhar em cooperação. Temos algumas coisas a aprender com o Brasil.

iG: Como lidar com a questão das emissões da China?

Todd Stern: A China é um grande desafio. É um país que mostra para onde a diplomacia das mudanças climáticas tem que ir. Tradicionalmente, em acordos como o de Kyoto, os países desenvolvidos devem agir, e os em desenvolvimento não precisam se comprometer. Essa divisão não pode continuar se quisermos realmente resolver o problema, e a China é o melhor exemplo do porquê disso. É o maior emissor de gases-estufa do mundo, e está crescendo. E ela não está sozinha. Economias emergentes como o Brasil também desempenham um grande papel. Os países desenvolvidos têm sua responsabilidade histórica, mas todos têm que agir, e por isso encaro o acordo de Copenhagen como um avanço, pois todos concordaram em submeter suas propostas para reduzir as emissões e todos fizeram isso, até 31 de janeiro deste ano. Isso nunca tinha acontecido antes.

iG: O senhor foi o negociador do Protocolo de Kyoto durante o governo Clinton, e está agora de volta como Enviado Especial de Mudanças Climáticas do governo Obama. O que mudou de lá para cá e por que os Estados Unidos não ratificaram ainda o Protocolo de Kyoto?

Todd Stern: Desde 1997, algumas coisas continuam as mesmas, mas muito mudou. A maior diferença é que agora os países em desenvolvimento são os maiores emissores de carbono. Nós sabemos que historicamente esse papel cabia ao Primeiro Mundo e temos que agir de acordo com isso. Mas nós vivemos pensando no futuro, e não no passado. O paradigma básico de Kyoto, que os países em desenvolvimento não tinham responsabilidade nas emissões, simplesmente não funciona mais, e muitos enxergam isso.

Alguns países se agarram a Kyoto, mas cada vez mais os governos reconhecem essa mudança e que o mundo tem que descobrir um meio de mudar essa situação pela via diplomática.

A respeito dos Estados Unidos, nunca houve um apoio político real a um acordo cujas obrigações fossem todas aos países mais ricos. Havia muita oposição. E o tema não era ainda tão premente - havia oposição das indústrias, que não queriam aumentar seus custos, e de grupos conservadores. A opinião pública também não sentia a necessidade de ações urgentes. Estes problemas ainda não acabaram, mas a situação melhorou muito agora.

Biocombustíveis

16 de dezembro de 2009

A preocupação com o aquecimento global e a necessária busca por alternativas aos combustíveis fósseis são os principais motivos do aumento do interesse mundial pelos biocombustíveis. Diante desse cenário, o Brasil também aposta nessas novas fontes de energia para crescer nos próximos anos e para manter sua matriz energética limpa e sai na frente ganhando o status de maior produtor mundial. Os investimentos em biocombustíveis no País devem chegar a cerca de R$ 23 bilhões até 2017, que devem ser aplicados na expansão da produção e oferta.

Além de se constituírem em fontes renováveis e contribuírem pouco para a emissão de gases de efeito estufa, os biocombustíveis colocam o País em destaque no cenário econômico mundial. São grandes as vantagens competitivas, principalmente porque há diversidade de matéria-prima para o etanol, como a cana-de-açúcar, sorgo sacarino e mandioca e para o biodiesel, como a mamona, soja, palmáceas e girassol.

Com uma estratégia associada a preocupações com segurança energética e sustentabilidade, o Brasil também dedica especial atenção às dimensões globais e regionais da ampliação do uso dos biocombustíveis. Na vertente global, o País defende a adoção de padrões e normas técnicas internacionais que permitam o estabelecimento de mercado para esses produtos. Adicionalmente, é prática nacional estimular estudos científicos e inovações tecnológicas que garantam a sustentabilidade no longo prazo da produção de biocombustíveis, assim como a não interferência de sua produção no cultivo de alimentos

Adaptação à seca

Com o aquecimento global cada vez mais evidente, a demanda por cultivares, como a cana de açúcar, mais tolerantes à seca é crescente. No Brasil, pesquisas visando tolerância a esse estresse estão em desenvolvimento pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O melhoramento da cana-de-açúcar convencional é um processo demorado e trabalhoso e pode levar de 12 a 15 anos para se obter uma nova variedade. Porém, a Embrapa trabalha com uma perspectiva técnica de que num prazo de até sete anos o setor sulcroalcooleiro poderá contar com esta nova variedade adaptada ao clima seco.


No âmbito regional, o Brasil estimula a integração energética da América do Sul, com a promoção da diversificação da matriz nos países da região e o incentivo às fontes de energia renováveis. Nesse sentido, foi assinado um Memorando de Entendimentos do Mercosul para ampliar a cooperação no tema. O documento visa a integração das cadeias de produção e de comercialização do etanol e do biodiesel na região – incluindo aspectos de regulação e fiscalização – com vistas ao aproveitamento de importantes vantagens competitivas dos países no campo dos biocombustíveis.

Etanol

Maior produtor e exportador de etanol de cana-de-açúcar do mundo, o Brasil se posiciona hoje na vanguarda dos países em desenvolvimento no campo das energias renováveis. O ciclo completo de produção do etanol, desde o desenvolvimento de variedades especiais de cana de açúcar, formas de plantio, o processamento, a armazenagem e a distribuição, além da tecnologia dos motores flex fuel, são genuinamente nacionais.

Vale destacar que no que diz respeito aos biocombustíveis, o Brasil é o maior produtor global, sendo que no caso do etanol, considerando a produção a partir da cana-de-açúcar e de outros cultivares, é o segundo do mundo.

Nos últimos 30 anos, o Brasil evitou emissões de cerca de 800 milhões de toneladas de CO2 por meio do uso do etanol como substituto da gasolina. O volume total produzido em 2008 alcançou a marca dos 27 bilhões de litros, com um aumento de 17,9% se comparado com o período anterior. As estimativas oficiais são de que este número irá crescer para 37 bilhões de litros em 2015.

Em 2008, o Brasil contava com 360 milhões de hectares de áreas agriculturáveis, com 220 milhões de hectares dedicados a pastagens e outros 70 milhões para cultivos agrícolas diversos, dos quais apenas 8,5 milhões de hectares eram usados para plantações de cana-de-açúcar – metade destinada à produção de açúcar e outra metade à de etanol. Isso mostra que existe espaço de sobra para expandir os canaviais sem prejuízos de áreas florestais da Amazônia, situada a milhares de quilômetros das regiões produtoras de etanol e sem pressionar a produção de alimentos. Vale lembrar que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura atesta que o etanol brasileiro é mais competitivo em termos de preço do que qualquer outro produzido em outros países.

Com olhar voltado ao futuro, atualmente, as pesquisas brasileiras se concentram nas novas frentes de desenvolvimento de variedades de cana de açúcar, maior produtividade, etanol de segunda geração e otimização das formas de produção agrícola e industrial.

Biodiesel

Desde 2004 o Brasil conta com o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, que regulamenta a produção e a distribuição do biodiesel brasileiro, produzido com oleaginosas. O País é o terceiro maior produtor dessa fonte energética do mundo, atrás apenas da Alemanha e dos Estados Unidos.

Em cinco anos de Programa, foram dados valiosos passos rumo à consolidação do biodiesel no Brasil. Quando criado, previa inicialmente foi previsto o aumento gradual da adição do biocombustível ao diesel tradicional até 2013, quando a mistura deveria chegar a 5%. No entanto, o governo brasileiro decidiu fortalecer suas iniciativas nessa área e acaba de antecipar em três anos essa obrigatoriedade. Assim, o B5, como é chamada a mistura do diesel tradicional e do biodiesel, passará a ser obrigatório a partir de janeiro de 2010, em todo o território nacional. Essa medida deve elevar a produção de biodiesel de cerca de 176 milhões anuais para 2,4 bilhões de litros em 2010, reforçando a posição do Brasil na liderança mundial em energias renováveis em escala comercial.

Sob o aspecto social, a ampliação do uso do biodiesel vai aumentar a geração de emprego e renda, impacto no processo de inclusão social atualmente em curso no Brasil ao promover de forma crescente a agricultura familiar. Dos 2,4 bilhões de litros a serem demandados com o B5, 80% será fornecido por unidades produtoras detentoras do Selo Combustível Social. No viés econômico, haverá uma maior agregação de valor às matérias-primas oleaginosas de origem nacional.

O Brasil possui 43 usinas com a seguinte distribuição regional de capacidade:

Norte

5%

Nordeste

19%

Centro-Oeste

33%

Sudeste

18%

Sul

25%

Benefícios ambientais do biodiesel são questionados por cientista brasileiro

28 de agosto de 2008

Por Luiza Caires

Ainda é precipitado afirmar que o biodiesel é um combustível mais limpo que o petrodiesel (diesel combustível). "Nas condições brasileiras, o biodiesel é considerado menos poluente em alguns aspectos, e em outros mais. O metanol utilizado como reagente para sua produção pode ser um problema, pois utiliza o gás natural como matéria-prima, que é um combustível não-renovável", revela o engenheiro químico André Moreira de Camargo. Na Escola Politécnica da USP, o engenheiro fez um inventário do ciclo de vida do metanol, álcool usado como reagente no processo de produção do biodiesel.

Avaliação do ciclo de vida do biodiesel

A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é uma ferramenta de gestão ambiental utilizada para determinar o impacto de determinado produto ou processo. A metodologia permite mapear o produto "do berço até o túmulo", calculando todo gasto de energia e poluição gerada desde a extração e processamento, passando pelo seu transporte, uso e destino final.

O estudo de Camargo é o primeiro a fazer esta análise sobre o ciclo de vida do metanol considerando as condições brasileiras. "Para realizar a ACV é necessário se ater às condições específicas do local onde o produto é feito, transportado e utilizado. No Brasil, por exemplo, a malha de transporte é basicamente rodoviária, então isto tem de ser levado em consideração nos cálculos de energia gasta e na poluição gerada quando utilizamos este meio de transporte", esclarece o pesquisador.

Metanol versus etanol

O inventário feito pelo pesquisador representa um primeiro passo para esclarecer esses pontos, mas ele ressalta que ainda é preciso fazer uma comparação do metanol com o mesmo tipo de estudo sobre o ciclo de vida do etanol nas condições apresentadas no Brasil, já que estudos feitos em outros países não traduzem corretamente a carga ambiental do combustível: matriz energética, condições de extração e transporte e a própria matéria-prima do etanol podem variar.

Aprimoramento dos estudos

Além disso, mesmo o ACV do metanol pode ser aperfeiçoado, modificando-se e ampliando-se o escopo contemplado nos cálculos. "O escopo corresponde aos fatores levados em consideração nos cálculos. Ele varia conforme o objetivo do estudo e as hipóteses consideradas pelo pesquisador, que deve utilizar seu bom senso. Devo avaliar se é importante incluir o impacto ambiental da produção do parafuso usado no equipamento de extração do gás, por exemplo, sempre lembrando que quanto mais extenso for este escopo, mais complexa ficará a ACV, e mais tempo levará para ser feita", explica.

Gestão ambiental

Avaliação do Ciclo de Vida é regulamentada por uma norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABTN) com o número NBR14040, derivada do ISO 1400, que especifica normas e metodologias de gestão ambiental. Apesar de a base de dados de ACV no Brasil ainda ser pequena, a tendência é que iniciativa privada e governo adotem cada vez mais esta metodologia, como têm feito algumas empresas. No âmbito da universidade, equipes como o Grupo de Prevenção da Poluição (GP2) da Poli estão se propondo a expandir esta base.

"A ACV é uma ferramenta que permite comparar produtos e serviços do ponto de vista ambiental, e estes estudos sempre podem ser ampliados e aperfeiçoados. Além disso, ela permite que se identifiquem os chamados 'gargalos de processos', indicando o que é preciso mudar para diminuir o impacto ambiental, seja com investimento em novas tecnologias ou mudanças na fonte energética usada", destaca o engenheiro.

O Biodiesel da sua panela

20 de julho de 2008

Os moradores e empresas de São Paulo e Salvador podem doar o óleo usado a Comanche Clean Energies. A dica é da Lucia Freitas, do blog LadyBug.

“A Comanche, que produz etanol e biodiesel com capital norte-americano e expertise brasileira, se propõe a ir até a porta da sua casa ou estabelecimento para buscar o óleo de cozinha. Ganham eles, com matéria prima para o seu biodiesel, ganha o ambiente - porque a gente já sabe que 1 litro de óleo polui milhões de litros de água.

Para doar, é fácil, simples e indolor. Você peneira o óleo USADO e guarda (sem resíduos sólidos, por favor) numa garrafa PET. Tampa e convoca o batalhão verde da empresa (telefone: 0800-723-1180 ou pelo e-mail doeoleo@comanche.com.br).

Para hotéis, bares e restaurantes, é preciso usar os galões que a própria empresa fornece (os volumes são maiores). Mas o canal de contato é o mesmo”.
Fonte: Alexandre Mansur - Blog do Planeta

Investimentos em tecnologia limpa batem recorde

11 de julho de 2008

Os investimentos em tecnologias limpas atingiram um recorde global no último trimestre, com US$ 2 bilhões investidos em empresas do tipo.

O grupo Cleantech, que promove investimentos em negócios ecológicos, disse que a indústria está desafiando tendências de quedas no setor de venture capital - empresas que realizam investimentos de alto risco.

"A indústria de tecnologias limpas está apenas começando e empresas de venture capital vêem um potencial real de retorno", diz o diretor de pesquisas do Cleantech, Brian Fan.

Um relatório do Cleantech identificou 96 investimentos globalmente.

Com a escalada nos preços dos combustíveis, as empresas mais beneficiadas pela nova onda de investimento têm sido as de energia solar e de bicombustíveis de segunda geração.

"Os dados mostram um apetite cada vez maior por tecnologias limpas que podem substituir o carvão na geração de eletricidade e o petróleo como forma de combustível com o objetivo de resolver problemas globais", afirma Fan.

Grande fluxo

A empresa Foundation Capital, com sede no Vale do Silício, ficou em segundo lugar na lista de empresas de venture capital que mais investem em tecnologia limpa.

"Nos últimos 12, 18 meses, tem havido um grande fluxo de investimento. O setor promete ser um grande mercado com investimentos com chances de crescer para um montante entre US$ 6 trilhões e US$ 20 trilhões nos próximos 20 anos", afirma Steve Vassallo, principal investidor do grupo.

Mas ele afirma que com a pressa em investir vêm também os riscos.

"Há muito dinheiro entrando em setores como biocombustíveis e energia solar e, na verdade, há poucas empresas confiáveis."

Por isso, Vassallo disse à BBC que a empresa prefere investir em empresas que usam tecnologia para fazer com que os recursos atuais funcionem de maneira mais eficiente.

Bay Area

Segundo o documento preparado pela Cleantech, quase três quartos dos investimentos feitos no último trimestre foram realizados nos Estados Unidos, com a região californiana de Bay Area atraindo 40% desse montante.

"Na região de Bay Area, há veteranos que sabem como criar empresas e trazer ao mercado, com sucesso, novas tecnologias", disse Fan.

Empresas européias, especialmente na Grã-Bretanha, receberam 13% dos investimentos, seguidas das chinesas, com 12%.

O Que é Biodiesel?

29 de maio de 2008

O biodiesel é um combustível para ser utilizado nos carros ou caminhões, feito a partir das plantas (óleos vegetais) ou de animais (gordura animal).

Atualmente o biodiesel vendido nos postos pelo Brasil possui 2% de biodiesel e 98% de diesel (B2). O biodiesel só pode ser usado em motores a diesel, portanto este combustível é um substituto do diesel.

Para se produzir biodiesel, o óleo retirado das plantas é misturado com álcool (ou metanol) e depois estimulado por um catalisador. O catalisador é um produto usado para provocar uma reação química entre o óleo e o álcool. Depois o óleo é separado da glicerina (usada na fabricação de sabonetes) e filtrado.

Existem muitas espécies vegetais no Brasil que podem ser usadas na produção do biodiesel, como o óleo de girassol, de amendoim, de mamona, de soja, entre outros.

Para que você entenda melhor esse processo, veja como funciona:
As mistura entre o biodiesel e o diesel mineral é conhecida pela letra B, mais o número que corresponde a quantidade de biodiesel na mistura. Por exemplo, se uma mistura tem 5% de biodiesel, é chamada B5, se tem 20% de biodiesel, é B20. Hoje nos postos em todo o Brasil é vendido o biodiesel B2.

A utilização do biodiesel puro ainda está sendo testada, se for usado só biodiesel (100%) sem misturar com o diesel mineral, vai se chamar B100.

Definição Geral:

Combustível natural usado em motores diesel, produzido através de fontes renováveis, que atende as especificações da ANP.

Definição Geral estendida:

Combustível renovável derivado de óleos vegetais, como girassol, mamona, soja, babaçu e demais oleaginosas, ou de gorduras animais, usado em motores a diesel, em qualquer concentração de mistura com o diesel. Produzido através de um processo químico que remove a glicerina do óleo.

Definição Técnica:

Combustível composto de mono-alquilésteres de ácidos graxos de cadeia longa, derivados de óleos vegetais ou de gorduras animais e designado B100.

Definição da legislação brasileira:

Biocombustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna com ignição por compressão ou, conforme regulamento, para geração de outro tipo de energia, que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil.

Biodiesel é o nome de um combustível alternativo de queima limpa, produzido de recursos domésticos, renováveis. O Biodiesel não contem petróleo, mas pode ser adicionado a ele formando uma mistura. Pode ser usado em um motor de ignição a compressão (diesel) sem necessidade de modificação. O Biodiesel é simples de ser usado, biodegradável, não tóxico e essencialmente livre de compostos sulfurados e aromáticos.

O Biodiesel é fabricado através de um processo químico chamado transesterificação onde a glicerina é separada da gordura ou do óleo vegetal. O processo gera dois produtos, ésteres ( o nome químico do biodiesel) e glicerina (produto valorizado no mercado de sabões).

O biodiesel de qualidade deve ser produzido seguindo especificações industrias restritas, a nível internacional tem-se a ASTM D6751. Nos EUA, o biodiesel é o único combustível alternativo a obter completa aprovação no Clean Air Act de 1990 e autorizado pela Agência Ambiental Americana (EPA) para venda e distribuição. Os óleos vegetais puros não estão autorizados a serem utilizados como óleo combustível.

O biodiesel pode ser usado puro ou em mistura com o óleo diesel em qualquer proporção. Tem aplicação singular quando em mistura com o óleo diesel de ultrabaixo teor de enxofre, porque confere a este, melhores características de lubricidade. É visto como uma alternativa excelente o uso dos ésteres em adição de 5 a 8% para reconstituir essa lubricidade.

Mundialmente passou-se a adotar uma nomenclatura bastante apropriada para identificar a concentração do Biodiesel na mistura. É o Biodiesel BXX, onde XX é a percentagem em volume do Biodiesel à mistura. Por exemplo, o B2, B5, B20 e B100 são combustíveis com uma concentração de 2%, 5%, 20% e 100% de Biodiesel, respectivamente.

A experiência de utilização do biodiesel no mercado de combustíveis tem se dado em
quatro níveis de concentração:
· Puro (B100)
· Misturas (B20 – B30)
· Aditivo (B5)
· Aditivo de lubricidade (B2)

As misturas em proporções volumétricas entre 5% e 20% são as mais usuais, sendo que para a mistura B5, não é necessário nenhuma adaptação dos motores.

O biodiesel é perfeitamente miscível e físico quimicamente semelhante ao óleo diesel mineral, podendo ser usado em motores do ciclo diesel sem a necessidade de significantes ou onerosas adaptações.

Por ser biodegradável, não-tóxico e praticamente livre de enxofre e aromáticos, é considerado um combustível ecológico.

Como se trata de uma energia limpa, não poluente, o seu uso num motor diesel convencional resulta, quando comparado com a queima do diesel mineral, numa redução substancial de monóxido de carbono e de hidrocarbonetos não queimados


Textos Relacionados:

Exemplo brasileiro

27 de maio de 2008

Fonte O Eco
Site de jornalismo
ligado no meio ambiente


Essa cautela não pautou a apresentação brasileira no evento paralelo na COP 9 “Biocombustíveis no Brasil”. Na última quinta, representantes do governo deram exemplos positivos da produção de biocombustiveis no país. O diretor -substituto do Departamento de Cana-de-Açúcar e Agroenergia do MAPA, José Nilton de Souza Vieira citou que o uso de energia renovável no Brasil economiza 110 milhões de barris de óleo por ano. Já o pesquisador da Embrapa João Veloso afirmou que metade da produção de soja do sul do país está nas mãos de pequenos produtores. Detalhes no blog da WWF-Brasil.

http://www.cimm.com.br/conteudo/noticias/imagem/Image/mb_biocomb_divul.jpg



 

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